Slater e Djokovic: entre a glória e o negacionismo

Órgãos sanitários australianos, que já barraram tenista sérvio, serão “fiel da balança” para surfista estadunidense em 2022 Por Alison Silva(Arte de capa: Norberto Liberator) O negacionismo frente à pandemia e a aversão à imunização, posturas publicamente adotadas por Kelly Slater e Novak Djokovic, colocam “em xeque” a presença dos esportistas em competições de alto rendimento em 2022 – pelo menos até o momento. 11 vezes campeão mundial e principal referência esportiva dentro da elite do surfe, o estadunidense Kelly Slater, que completa 50 anos nesta sexta-feira (11), saiu em defesa do tenista Novak Djokovic após o sérvio recusar-se a tomar vacina para a disputa do Aberto da Austrália, realizado em Melbourne, entre os dias 17 e 30 de janeiro. Após o ministro australiano da Saúde, Greg Hunt, barrar a participação do nº1 do Tênis no primeiro Grand Slam da temporada, horas antes do início do torneio, e deportar Djokovic por meio de decisão judicial, Slater usou uma de suas redes sociais para validar a posição do tenista, bem como questionar as autoridades locais de maneira sarcástica. “Talvez a ‘Síndrome de Estocolmo’ agora possa mudar seu nome para ‘Síndrome de Melbourne’”, escreveu o surfista, em alusão ao transtorno psicológico em que a vítima de um sequestro ou abuso sente ligação ou empatia por seu aproveitador. Após a decisão da Corte australiana, o sérvio expôs sua decepção com a derrota judicial. “Vou tirar algum tempo para descansar e me recuperar, antes de fazer mais comentários além disso. Estou extremamente decepcionado com a decisão em negarem meu recurso de revisão, do Ministro em cancelar o meu visto, o que significa que eu preciso deixar a Austrália e não poderei participar do Australian Open”, disse. Com o veredito, “Djoko” não competiu e viu – de longe –, o espanhol Rafael Nadal se isolar como maior campeão de Grand Slams de todos os tempos, com 21 títulos ganhos, um a mais do que o sérvio. Ao contrário de Djokovic, barrado às vésperas, Kelly Slater venceu a primeira etapa do Mundial de surfe deste ano, feito que o eleva a líder do certame em 2022. O título foi conquistado no Havaí, especialmente em Pipeline, “pico” em que Slater ergueu o caneco oito vezes – a última fora em outubro de 1992, é muito significativo para os anais do esporte. A vitória conquistada diante do havaiano Seth Moniz teria outros contornos não fosse a postura do americano frente à pandemia; empilhando recordes, Slater faz 50 anos e certamente é, para muitos críticos, uma das principais personalidades esportivas da história, ao lado de nomes como Pelé, Muhammad Ali, Marta, Michael Jordan, Tom Brady, Nadia Comaneci, Lewis Hamilton e Ayrton Senna. Contudo, a manutenção da ponta da tabela está – ao que tudo indica –, condicionada ao americano tomar a vacina contra a Covid-19, pois Greg Hunt, o mesmo responsável por barrar Djokovic em Melbourne, já declarou publicamente que o negacionismo do sérvio é válido para todos aqueles que não tomaram a vacina, bem como se estende aos demais esportes e atletas de alto rendimento. “Acho que fomos bem claros com o caso de Novak Djokovic de que sem a vacina, sem jogo, declarou Hunt à emissora australiana Channel 9. “Espero que ele seja vacinado e compita”, concluiu o líder sanitário. Desse modo, a liderança do Campeonato Mundial e a conquista de Pipeline certamente provocam conflito interno de interesses em Slater, pois 2022 é o primeiro ano de um novo formato competitivo na elite do surfe, organizada pela Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês). Dilema Ao fim das cinco primeiras etapas, 12 atletas no masculino e 10 no feminino serão cortados e apenas os melhores permanecerão na disputa pelo Mundial; entre os homens, os 22 primeiros do ranking seguem; entre as mulheres, apenas o top-10 avança. Cinco das 10 etapas restantes exigem vacinação, com duas na Austrália (Bells Beach e Margaret River) disputadas antes do corte de atletas, quarto e quinto eventos, onde Slater poderá competir apenas se imunizado; etapas na Indonésia (sexta) e Brasil (oitava), que exigem respectivamente vacinação completa e comprovação vacinal de estrangeiros imunizados parcialmente. No Taiti, 10ª etapa, competem atletas autorizados após quarentena de 10 dias. A WSL informa que grande parte dos atletas e do staff está imunizada. “Estamos em contato próximo com os atletas para ter certeza de que estão saudáveis. As informações médicas pessoais são privadas, mas a ampla maioria dos atletas e staff da WSL está vacinada”. A organização disse que seguirá os protocolos sanitários de cada evento, sem realizar qualquer tipo de imposição aos surfistas. Eis o dilema de Slater. Adere à imunização e segue na disputa pelo título mundial, consagrando o alto rendimento aos 50 anos, ou mantém postura e discurso negacionista alinhados e segue “de molho”, bem como Djokovic. A ver. alison silva Estudante de jornalismo. Interessado na área esportiva, política e produção audiovisual.
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Texto por Jean Celso e Guilherme Correia Arte por Norberto Liberator Jean Celso Colunista Jornalista, podcaster, entusiasta da TV e do Rádio. Interessado em futebol, política e cannabis, dedica-se à pauta antiproibicionista. Guilherme Correia Repórter e Subdiretor de arte Estudante de jornalismo. Entusiasta de muitas coisas, do futebol ao audiovisual. Interessado em educação, cultura e pautas sociais. Norberto Liberator Editor-chefe Jornalista, ilustrador e cartunista. Interessado em política, meio ambiente e artes. Autor da graphic novel “Diasporados”.
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Mesmo ineficazes contra a Covid-19, medicamentos como cloroquina e ivermectina tiveram maior procura em 2020 Por Marcelo Soares e Gabriela Güllich Gabriela Güllich É matogrossense criada na Paraíba. Formada em Jornalismo pela UFPB, atua como quadrinista, jornalista e os dois ao mesmo tempo. Autora de “Quatro Cantos de um Todo”, HQ publicada pelo Sesc Paraíba em 2018 e “São Francisco” (Gabriela Güllich/João Velozo), livro-reportagem em quadrinhos e fotografia com narrativas do sertão e do Velho Chico, lançado em 2019. Marcelo Soares Jornalista e consultor em análise de dados na empresa Lagom Data. Mestrando na Unicamp. Ex-professor visitante de pós-graduações em jornalismo digital nas universidades ESPM (SP), PUC-RS (RS) e Positivo (PR), foi o primeiro editor de Audiência e Dados do jornal Folha de S.Paulo.
