Após ameaças, Gleice Jane denuncia violência política de gênero

Deputada registrou boletim de ocorrência após receber mensagens intimidatórias Da redação Foto: Aline Teodoro A Deputada Estadual Professora Gleice Jane (PT-MS) registrou, na noite de sábado, 6 de dezembro, um boletim de ocorrência na Depac de Dourados/MS após receber, em seu WhatsApp pessoal, uma ameaça de morte acompanhada da frase “você vai morrer” e outras mensagens intimidatórias.  Segundo a parlamentar, as mensagens incluíam links e referências a perfis ligados a pessoas do PL e da extrema direita, além de questionamentos sobre sua atuação política e sua condição de mulher na vida pública. Para ela, o caso reforça o avanço da violência política de gênero no país.  No domingo, 7 de dezembro, enquanto o caso se tornava público, mulheres em todo o Brasil participavam da mobilização nacional Mulheres Vivas, cujo lema deste ano foi: “Mulheres unidas nas ruas contra o feminicídio”. Para Gleice Jane, a coincidência evidencia que a violência contra as mulheres é um problema estrutural que exige enfrentamento firme e coletivo.  A deputada reuniu as evidências, encaminhou o material à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. O caso será investigado como ameaça e violência política de gênero. “Estar na política também é um direito nosso. Nenhuma de nós pode ser silenciada”, afirmou Gleice Jane. “Esse tipo de ação representa ataques diretos da extrema direita contra a participação das mulheres na política”.  O mandato da Professora Gleice Jane reafirma seu compromisso com a democracia, a proteção dos direitos humanos e o enfrentamento à violência contra as mulheres, e seguirá acompanhando o caso junto às autoridades. Assista ao vídeo clicando aqui. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Institucionalização extrema encolheu a esquerda, defende Rui Falcão

Em entrevista exclusiva, candidato à presidência nacional do PT defendeu maior mobilização e retomada da luta anticapitalista Condução e roteiro: Norberto Liberator É hoje o homem forte do partido. Nenhuma decisão é tomada sem sua aprovação. Representante da corrente ortodoxa, luta para que na campanha Lula não ceda ao “pragmatismo”. É considerado um dos mais duros negociadores nas disputas internas, mas sabe a hora de recuar.  Foi assim que a Folha de S. Paulo definiu, no dia 11 de abril de 1994, o jornalista e atualmente deputado federal Rui Falcão. Se sua influência já não seria abordada da mesma forma, outros pontos certamente se mantêm. Rui segue fiel aos princípios que o levaram à atuação política, seja no PT, seja quando, durante a ditadura militar, integrou a luta armada como membro do grupo guerrilheiro VAR-Palmares. Aos 81 anos, o mineiro de Pitangui, cuja trajetória política se fez em São Paulo, segue com disposição para enfrentar mais uma batalha: a disputa das eleições internas do Partido dos Trabalhadores. Visto como parte da chamada esquerda do PT, o ex-presidente da legenda quer retomar o posto para reconectar a direção petista com a busca pelo socialismo e com a mobilização popular. No saguão do hotel em que se hospedou durante agenda para compromissos de campanha, em Campo Grande, Rui concedeu uma entrevista à Badaró. Entre uma xícara de café e algumas espreitas na goleada do Manchester City por 5×2 contra a Juventus, pela Copa do Mundo de Clubes, o parlamentar conversou sobre os rumos do partido, o genocídio contra a população palestina, comunicação do governo federal e outros temas. Em Mato Grosso do Sul, o PT ainda integra a base do governo do tucano Eduardo Riedel. Uma figura do agronegócio, que recentemente colocou sua polícia para agredir companheiros sem-terra e que defende a anistia aos golpistas do 8 de janeiro. Como o senhor vê essa aliança e a possibilidade do rompimento do PT com esse governo? Eu não vou me intrometer nas decisões do partido aqui no Mato Grosso do Sul. Imagino que essa participação deve ter sido aprovada pela direção. Dito isso, eu particularmente acho que nós não deveríamos integrar governos que reprimem os movimentos sociais, movimentos de trabalhadores e que apoiam o inominável, que inclusive não condenam publicamente o golpe de 8 de janeiro. Mas essa é a minha opinião pessoal, sem conhecer os detalhes que teriam levado o nosso partido a integrar esse governo, se é que o PT autorizou a participação no governo de Eduardo Riedel, que eu não tenha essa informação. O senhor é visto como um dos candidatos que buscam uma retomada de um programa mais à esquerda no Partido dos Trabalhadores, enquanto outros setores buscam uma caminhada ao centro. Diante do cenário atual, que rumos o senhor acha que o PT deve tomar internamente para fazer frente ao crescimento da extrema direita e ao sufocamento feito pelo centrão? Então, essa pergunta já embute uma resposta. O sufocamento feito pelo centrão é resultado de uma política, de uma tática que não faz o enfrentamento da direita. Todo o crescimento da extrema direita no mundo e aqui no Brasil, inclusive, tem como uma das razões o encolhimento da esquerda. O esquecimento de bandeiras históricas que nós sempre sustentamos, como, por exemplo, a luta anticapitalista, a luta antiimperialista, a presença nos territórios organizando a classe trabalhadora em defesa de seus interesses. Esse é o papel, inclusive, principal dos parlamentares. Quando nós definimos a nossa participação em eleição, nós dizemos o seguinte: eleição é um meio, não é um fim. E o papel dos parlamentares, um deles, além de legislar, além de fiscalizar, é ajudar a organização das lutas da classe trabalhadora. Então, eu acho que sair do cerco do centrão… que hoje o nosso governo está cercado por fora e minado por dentro. A maneira de fazer isso é buscar a nossa religação com os setores populares e a defesa de bandeiras como, por exemplo, o plebiscito de 7 de setembro… que propõe isenção do imposto de renda quem ganha de cinco a sete [mil reais], taxação de quem ganha acima de 50, redução da jornada sem redução de salário e o fim da escala seis por um. Eu acrescento também nesse plebiscito que a gente consulte a população sobre a história da anistia, sem anistia. Então, outra causa importante que deveria fazer parte aqui do nosso cotidiano é a proposta para que o Brasil, o governo brasileiro, rompa relações diplomáticas e comerciais com o governo genocida de Israel. Até porque o presidente Lula é considerado lá em Israel, pelo governo, persona non grata.  Eu não entendo quais as razões que nos levam a isso. Então são lutas desse tipo que podem conectar o partido com o conjunto da população, setores médios e o próprio governo para recuperar a sua popularidade. Os quatro candidatos à presidência do PT defendem romper as relações diplomáticas com Israel devido ao genocídio cometido contra o povo palestino. E até o momento, como o senhor frisou, o presidente Lula tem denunciado o caso internacionalmente, mas as relações oficialmente se mantêm. Como o senhor avalia esse posicionamento do governo e essa necessidade? Então, essa proposta que os quatro candidatos escreveram, que é uma moção ao presidente Lula, fui eu que propus num debate no Rio Grande do Sul. E os outros três concordaram com os termos da moção, e eu fiz com que ela chegasse ao presidente Lula, entreguei lá para o chefe de gabinete dele. A alegação, pelo menos, do ministro das Relações Exteriores, numa sessão – eu sou membro da comissão – e ele até me cumprimentou, depois agradeceu o meu desempenho na reunião. Mas eu falei duas coisas para ele. Se não querem romper as relações, que diz que não dá e tal, que pelo menos participe do projeto chamado “boicote, sanções e vetos” ao governo de Israel. Ou seja, ele me esclareceu na ocasião, que eu falei: “por que nós exportamos o petróleo para Israel?”. Ele disse que o Brasil,

‘Nem deveria ter entrado’: Valter Pomar defende rompimento do PT com Riedel

Em entrevista exclusiva, candidato à presidência nacional do PT defendeu guinada à esquerda e saída do governo sul-mato-grossense Condução e roteiro: Norberto Liberator Na história do Brasil, nenhuma agremiação de esquerda foi tão bem-sucedida quanto o Partido dos Trabalhadores. De um papel decisivo na Constituinte de 1988 a prefeituras, governos de estados e à eleição do primeiro operário a chegar à presidência da República, a legenda se consolidou com a base sólida em uma militância “pé no barro”. Sindicatos, movimentos de luta pela terra, pastorais católicas, intelectuais e artistas formaram uma força ampla e diversa que não tinha medo de falar em socialismo. Hoje, o cenário é diferente. Ao longo de três mandatos e meio, até um golpe de Estado, o PT se desgastou. As concessões à direita se tornaram cada vez menos pontuais e mais profundas desde a “Carta aos Brasileiros”, lançada antes da vitória eleitoral em 2002, ano em que o partido apostou num empresário de centro-direita como vice.  Abandonando cada vez mais o discurso radical e se tornando parte do “sistema”, o PT perdeu parte do encantamento que possuía sobre a juventude e as camadas mais populares. Há quem aponte que o partido começou a caminhar para a política de conciliações desenfreadas não em 2002, mas em 1995, quando José Dirceu foi eleito seu presidente nacional. Naquele ano, Dirceu era considerado o candidato do “centro”, enquanto Hamilton Pereira representava a ala mais à esquerda. Atualmente, o PT passa novamente por eleições internas. O chamado PED (Processo de Eleição Direta) ocorre no dia 6 de julho. Novamente, o partido tem uma disputa entre setores que querem levá-lo mais ao centro e os que defendem mais radicalidade. Entre o segundo grupo, um dos candidatos esteve em Campo Grande em uma rara noite de frio na capital sul-mato-grossense.  De boina, sobretudo e uma camiseta com estampa em apoio à causa palestina, Valter Pomar cedeu entrevista à Badaró em uma padaria, onde conversou sobre os rumos do PT e da política nacional. Badaró: Em Mato Grosso do Sul, o PT integra a base do governo Eduardo Riedel. Uma figura do agronegócio, que recentemente colocou sua polícia para agredir companheiros sem-terra e que defende a anistia dos golpistas do oito de janeiro. Como você vê essa aliança e a possibilidade de um rompimento com esse governo? Valter Pomar: Que o PT não deveria ter entrado nesse governo e já deveria ter saído. Não é um problema do Mato Grosso do Sul. Em vários estados brasileiros aconteceu algo parecido. Em nome de derrotar a extrema direita, o PT nas eleições apoiou um candidato da direita. Muitas vezes esse candidato da direita também era meio extremo. Mas o PT não apenas apoiou esses candidatos, como deu um passo além. Começou a participar do governo. Esse passo além é mortal, na minha opinião. Porque uma coisa é você sugerir à população que num segundo turno, onde o PT não está, vote contra o candidato da extrema direita. Outra coisa é você recomendar à população que vote num candidato da direita para derrotar o candidato da extrema direita. E uma terceira coisa diferente é você transformar isso em participação no governo, porque aí você se compromete com a execução de um programa que não tem nada a ver com o nosso. Então, isso aconteceu em vários estados do país, de diferentes formas. O Rio Grande do Sul, por exemplo, é um estado onde nós, no segundo turno, sem que houvesse uma decisão formal do partido, indicamos o apoio ao Leite. Não chegamos a fazer parte do governo, mas a simples indicação de apoio já rendeu problemas para o partido, porque não se faz uma oposição correta. Aqui no Mato Grosso do Sul se deu um passo além, ou seja, o PT começou a participar do governo. É um erro. O correto é que o PT saia imediatamente do governo, até porque, como você disse, este governador adotou uma posição, uma questão-chave que o reassociou à extrema direita. Hoje, quem defende a anistia para os golpistas não pode ser considerado como um aliado democrático, sob nenhum aspecto. Duas mulheres da política sul-mato-grossense têm chances de serem candidatas à vice-presidência no ano que vem. Tereza Cristina pela extrema direita, seja com Ronaldo Caiado, Tarcísio ou qualquer nome inventado, e Simone Tebet, como possível vice do Lula. Embora seja um quadro considerado mais ao centro, a Simone também é ligada ao agronegócio. O seu marido, Eduardo Rocha, é secretário da Casa Civil, justamente do governo Riedel. E como você vê essa influência das elites agrárias do Mato Grosso do Sul, que perpassam todo o espectro político, sobre a política nacional e particularmente sobre o governo federal? Veja, a influência do agronegócio é uma marca da história do Brasil. Desde que o Brasil é Brasil, o latifúndio cumpre um papel muito importante na política brasileira e é o setor mais reacionário da classe dominante. Nesse período mais recente, houve uma expansão acentuada do agronegócio na região Centro-Oeste e na região Norte do país. E desses dois territórios vem uma base muito importante da oposição de extrema direita e de direita contra nós. Claro que existem diferenças dentro do agronegócio, diferenças políticas, mas elas não são estruturais. Essa é a primeira questão. A segunda questão é que tudo caminha, ano que vem, para uma aliança entre as duas alas da direita. No primeiro e/ou no segundo turno. Portanto, a gente corre um risco muito grande de que forças que nos apoiaram em 2022 passem a disputar contra nós no primeiro e no segundo turno na disputa presidencial. Essa influência do agronegócio é totalmente deletéria. O Brasil não pode continuar sendo uma subpotência primária exportadora. O agronegócio precisa ser derrotado e as suas expressões políticas também. É interessante que você destaque o fato de que são duas mulheres, ou seja, a direita brasileira está fazendo uma renovação e está dialogando com as tendências renovadoras que existem na sociedade. Muitos desses quadros da extrema direita e da direita no Congresso Nacional são

Gleice organiza seminário sobre violência contra profissionais da enfermagem

Evento proposto pela deputada Gleice Jane acontece no dia 25 de junho e visa discutir soluções para proteger quem cuida da saúde da população Da redação Espaço de escuta, denúncia e construção coletiva de soluções, essa é a proposta do seminário “Desafios na Gestão em Saúde: enfrentamento à violência contra profissionais de enfermagem”, que será realizado no dia 25 de junho (quarta-feira), das 13h às 17h, no Plenário Deputado Júlio Maia, na Assembleia Legislativa de MS.  A iniciativa da deputada Gleice Jane (PT), é a oportunidade de construir estratégias de enfrentamento e prevenção à violência sofrida por enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem no exercício da profissão.  A proposta surgiu após reunião entre o gabinete da parlamentar e representantes do Conselho Regional de Enfermagem (COREN-MS), sindicatos da saúde e profissionais da área, que relataram episódios recorrentes de agressões físicas e verbais, sobrecarga de trabalho e adoecimento emocional, especialmente em unidades de pronto atendimento (UPAs) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Segundo Gleice Jane, o seminário busca mobilizar gestores, entidades representativas e sociedade civil em torno de propostas concretas para garantir ambientes de trabalho seguros, acolhedores e humanizados.  Temas como a atuação da gestão pública na prevenção da violência, a insuficiência estrutural dos serviços de saúde mental e os impactos emocionais da rotina de trabalho estarão em pauta. “Esse debate é crucial e urgente.  Valorizar os profissionais de enfermagem e assegurarmos dignidade, segurança e saúde a quem cuida da população”, defende a parlamentar. Palestrantes Dentre os participantes, o Seminário vai contar com a presença da Dra. Cândice Gabriela Arosio, especialista em Direito e Processo do Trabalho e Procuradora do Ministério Público do Trabalho. Ex-juíza do TRT da 2ª Região. Atua na promoção de ambientes laborais seguros e justos, com foco na proteção dos direitos dos trabalhadores da saúde. Já a Dra.Maria Helena Vieira Machado, pesquisadora titular da Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz) é doutora em Sociologia, com trajetória no Ministério da Saúde como diretora de Gestão do Trabalho. Atua em estudos sobre saúde mental, condições de trabalho, populações indígenas e quilombolas.Referência em políticas públicas e sociologia das profissões. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Candidatos à presidência nacional do PT cumprem agendas em Campo Grande

Valter Pomar e Rui Falcão cumprem agendas junto à militância Da redação Dois candidatos à presidência nacional do PT estarão, nesta semana, em Campo Grande. Valter Pomar e Rui Falcão têm agendas de campanha. A legenda está em processo de eleições internas, que ocorrem no dia 6 de julho. Valter Pomar, que concorre como representante da corrente interna Articulação de Esquerda, estará na capital sul-mato-grossense nesta segunda-feira (23). O historiador, que integra a direção nacional do partido, participa do debate entre chapas nacionais no Sindicato dos Bancários (R. Barão do Rio Branco, 2652), a partir das 18h30.  Já Rui Falcão, da tendência interna Novo Rumo e que conta com apoio de correntes como Democracia Socialista, Avante e O Trabalho, além do campo Diálogo e Ação Petista, vem na quinta-feira (26). O candidato, que atualmente é deputado federal e já presidiu a legenda, cumpre compromissos de campanha com a militância partidária. Eleição do PT Os dirigentes petistas são escolhidos por votação dos filiados no chamado PED (Processo de Eleição Direta). O partido é subdividido em correntes internas, que disputam entre si as direções nacional, estaduais e municipais em todo o Brasil. Em Campo Grande, as candidaturas municipais são da ex-vereadora Elaine Becker, da corrente Articulação de Esquerda, e do deputado estadual Pedro Kemp, da corrente Avante. Elaine apoia Valter Pomar para a presidência nacional do partido, enquanto Kemp apoia Rui Falcão. A nível estadual, os candidatos são Humberto Amaducci, ex-prefeito de Mundo Novo e atual vice-presidente em Mato Grosso do Sul, que representa a Articulação de Esquerda e apoia Valter Pomar para presidente nacional; e o deputado federal Vander Loubet, da corrente Resistência Socialista, que nacionalmente apoia Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, no interior de São Paulo. Edinho pertence à corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), considerada majoritária no partido. Além de Edinho, Pomar e Falcão, a eleição nacional tem ainda como candidato o secretário de Relações Internacionais da legenda, Romênio Pereira, da tendência interna Movimento PT (MPT). Tanto Pomar quanto Falcão e Romênio são considerados mais à esquerda na política interna do partido, enquanto Edinho é visto como um quadro mais ao centro e “moderado”. Instagram Twitter Youtube Tiktok