A impulsionar a grande roda da história

Bruno Lira dedicou vida a uma causa e deixa legado de luta Texto: Norberto LiberatorArte: Yuirê Campos “Perdemos o melhor de nós”. Esta frase ficou em minha mente, como se soprada por uma voz externa, após a notícia de que o quadro de Bruno Lira Rodrigues, que tratava um câncer, era irreversível. Militante, assessor parlamentar, publicitário, estudante, atleta, músico, pai. As funções de Bruno eram múltiplas. Esta é a primeira vez que escrevo a partir de experiências pessoais para a Badaró, que a esta altura está em seus quase seis anos de existência. Conheci Bruno – também chamado de Lira – durante a graduação, quando estudava Jornalismo e ele, Ciências Sociais. Provavelmente em 2016 ou 2017. Tínhamos em comum o gosto pelo punk rock e heavy metal, pela moda de viola e pela política. Dividia o tempo de estudo com a função de gerente da Chilli Beans. Uma das primeiras pessoas a saber sobre o projeto de criação de uma revista inovadora e politicamente de esquerda em Campo Grande. “Eu já conhecia a Badaró antes de ela existir”, diria posteriormente. “O poeta está vivo com seus moinhos de vento, a impulsionar a grande roda da história”, diz a canção do Barão Vermelho dedicada a Cazuza. Bruno impulsionou o ciclo histórico sendo um homem de ação. Um dos fundadores e primeiro presidente do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Joaquim Murtinho, maior colégio público campo-grandense; fundou também o Centro de Treinamento Thai 67. Participou da ocupação do Bloco VI da UFMS, em 2019, que rendeu processos da própria universidade contra estudantes. Na comunicação, sua atuação enquanto publicitário não se deu por título acadêmico, mas pela prática. Foi um dos fundadores da Agência Prosa e, entre muitas coisas, marketeiro das campanhas de Jean Ferreira. A primeira, para deputado estadual em 2022; a segunda, a corrida vitoriosa para vereador por Campo Grande, em 2024. Arte: Yuirê Campos Foi no contexto do marketing político que nos reaproximamos. Bruno indicou meu nome para assumir a assessoria de imprensa do mandato recém-eleito. A convivência com a burocracia de uma casa legislativa era algo novo para nós. O gabinete do vereador Jean Ferreira, com um bando de jovens vestindo calças cargo ou sarja, destoava dos demais desde a estética. Bruno não aderiu ao paletó e continuou indo à Câmara trajado em camisetas pretas, com estampas de bandas ou frases políticas. Em uma demonstração de sensibilidade por parte da família, Bruno foi enterrado com a camiseta do álbum “Kill’Em All”, do Metallica. Mas apenas seu corpo físico, pois sua contribuição para um mundo melhor permanece, seja nas memórias, seja no legado que construiu. Bruno Lira era essencialmente político, portanto desrespeitoso seria que sua morte não fosse politizada. Não é o que ele gostaria. A luta foi um elemento importante de sua vida, em muitos aspectos: na política; no jiu-jitsu e muay thai; como pai atípico do pequeno Noah e na luta pela sobrevivência após a identificação de um câncer. As pessoas morrem, mas suas ações ficam. O que Bruno deixou mostra que sua existência não foi uma mera passagem. Como diz a música já citada: “Amanheceu o pensamento que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento”. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Casos mais graves que o de Glauber nunca foram punidos na Câmara

Processo de cassação de Glauber Braga evidencia seletividade ao tratar de casos de agressão e quebra de decoro Norberto Liberator Instagram Twitter Youtube Tiktok
Landmark prepara audiência para debater agricultura familiar e mais alimentos a Campo Grande

Na tarde desta terça-feira (19), o vereador Landmark Rios (PT) realizou uma reunião preparatória no gabinete para organizar a audiência pública que discutirá políticas de segurança alimentar em Campo Grande. O encontro, que reuniu representantes de entidades, movimentos sociais e da agricultura familiar, teve como foco a construção de propostas e estratégias que garantam acesso a alimentos saudáveis e de qualidade para a população. A audiência pública será realizada no dia 9 de maio, na Câmara Municipal, com a participação de especialistas, autoridades e representantes do setor produtivo rural. O objetivo é fortalecer o papel da agricultura familiar no combate à insegurança alimentar e discutir alternativas para facilitar a comercialização de produtos agroecológicos no município. “Essa é uma temática que envolve saúde pública, assistência social e as nossas comunidades da periferia. A segurança alimentar depende da produção com qualidade e sustentabilidade, e isso só é possível com o fortalecimento dos assentamentos do entorno de Campo Grande e de todo o Mato Grosso do Sul. Queremos dar força e voz aos movimentos sociais e produtores, que serão fundamentais para apresentar propostas ao poder público”, afirmou o vereador Landmark Rios, presidente da Comissão de Agricultura e Agronegócio da Câmara. Durante a reunião, foram destacados desafios como a comercialização da produção agrícola, o escoamento dos produtos e a necessidade de assistência técnica. “Quem vai garantir segurança alimentar são os produtores de hortaliças, hortifrutis e alimentos agroecológicos. Por isso, defendemos políticas de reforma agrária, assistência técnica e investimentos em patrulhas mecanizadas”, complementou Landmark. Sandra Maria Soares, presidente da Federação da Agricultura Familiar e Empreendedores Rurais de MS (FAFER-MS), destacou a importância do debate. “Foi uma reunião bastante positiva. Esse diálogo com os movimentos sociais ligados à agricultura familiar vai trazer um debate importante para o desenvolvimento de Campo Grande. A comercialização é um dos nossos maiores desafios, e precisamos avançar nisso”, afirmou. Ao final do encontro, ficou definida a formação de um Grupo de Trabalho (GT) responsável pela organização da audiência pública. As propostas debatidas devem resultar em um relatório com sugestões encaminhadas ao Governo Federal, ao Governo do Estado e à Prefeitura de Campo Grande. Entre os participantes da reunião estavam representantes da UGT (União Geral dos Trabalhadores), SNTS-DF (Secretaria Nacional de Participação Social), Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e movimentos quilombolas e indígenas, que integram o esforço conjunto para buscar soluções sustentáveis no fortalecimento da segurança alimentar no município. Renan Nucci Assessoria de Imprensa do Vereador
Câmara de Campo Grande define membros da CPI do Transporte Público

A Câmara Municipal de Campo Grande definiu nesta quinta-feira (20), os cinco membros que vão compor a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar irregularidades no serviço de transporte coletivo urbano de Campo Grande, prestado pelo Consórcio Guaicurus. A CPI do Transporte Público será presidida pelo vereador Dr. Lívio e relatada pela vereadora Ana Portela. Também farão parte da comissão os vereadores Luiza Ribeiro, Junior Coringa, Maicon Nogueira. O presidente da Comissão, vereador Dr. Lívio, explicou como foi definida a composição da CPI “Foi uma indicação dos partidos, conforme o Regimento. O PSDB muito complacentemente cedeu sua vaga para o vereador Coringa participar da Comissão e fizemos um consenso democrático para que eu presidisse essa Comissão. A vereadora Ana Portela, por ser urbanista e também fazer parte da Comissão de Trânsito vai ser a relatora e os demais membros que vão nos auxiliar nesse trabalho. A primeira coisa que temos que fazer é celebrar a constituição dessa CPI. Era um pedido da população há décadas, temos que comemorar isso, mas isso traz esse peso de responsabilidade e trazer o resultado que o usuário espera”, afirmou. Como autor do primeiro requerimento pedindo a abertura da CPI, o vereador Junior Coringa comemorou a participação na Comissão. “Busquei todas as formas pra poder participar dessa Comissão, agora com a minha participação, pode ter certeza absoluta que eu vou ter uma atuação muito forte nessa comissão e muitas coisas vão acontecer, porque juntamente com todos os membros, nós vamos buscar à luz o que está no escuro”, afirmou o parlamentar. A vereadora Ana Portela destacou os principais pontos que serão investigados pela CPI, “o que população mais sente essa dor é a questão da frota, a qualidade do serviço, a morosidade do serviço, enfim são N coisas ali que a gente realmente tem que investigar. Nós vamos fazer essas visitas in loco, vamos trazer também pessoas técnicas pra poder dar esse parecer e é importante a gente ressaltar que todo esse grupo aqui vai estar caminhando junto pra realmente trazer esse retorno dessa investigação da forma que a população tanto espera”, ressaltou. A vereadora Luiza Ribeiro, que também integra a Comissão, destacou que “a CPI está aberta, ela é um instrumento do Parlamento para investigação de um fato determinado, então, o que deixamos muito claro para todos é que a CPI está aberta às autoridades, aos usuários, ao cidadãos, à sociedade sobretudo. Tem pessoas com deficiência que reclamam do funcionamento desse transporte coletivo, empresários, empreendedores, pessoas comuns, autoridades. Nós vamos ouvir o Tribunal de Contas do Estado, vamos ouvir todas as pessoas que queiram falar com a Comissão. Nós vamos ter um calendário de oportunidade pra ouvi-los, seja através de documentos de perícias ou pessoalmente através das audiências. Vamos ter muito trabalho, mas vai ser um momento importante para nossa cidade passar a limpo o transporte público da nossa cidade”, disse. O vereador Maicon Nogueira “Depois de 12 anos, depois de 10 tentativas de abertura da CPI, hoje é um motivo de comemoração para a população, sobretudo, aqueles que sofrem nas paradas que não tem ponto coberto, que passam horas dentro de um ônibus para ir trabalhar, perdendo qualidade de vida. É uma CPI que vai investigar a fundo, vai abrir uma caixa preta, que a população precisa saber, porque é tão caro por um serviço tão ineficiente. Nós como vereadores temos nossa opinião e estamos aqui para atender os interesses das pessoas em primeiro lugar, acima dos interesses da Prefeitura, acima dos interesses do Consórcio, abrimos esta CPI para mostrar para a população da cidade a verdade sobre o que acontece”, frisou. O presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas Neto, o Papy, fez questão de declarar seu apoio à CPI. “Eu particularmente tenho interesse na CPl, eu penso na investigação no transporte público que a cidade espera há anos. Nos meus outros mandatos já tinha assinado o pedido de requerimento CPI que não foi possível ser aberto naquele tempo, então, como um parlamentar, tenho muito interesse no trabalho investigativo que pode proporcionar pra Campo Grande. Mas, como presidente hoje, vou trabalhar nos bastidores, dando suporte aos cinco membros da Comissão, que tem um presidente e um relator, mas tiramos da nossa reunião que esse trabalho vai ser dos cinco membros. Todos terão as suas tarefas e vão desenvolver um trabalho pra dar uma resposta pro cidadão. Esse é o mais importante nesse momento. Uma CPI que não é contra um, contra outro, mas a favor da cidade, a favor das pessoas” A CPI terá duração de 120 dias e tem como objetivo investigar os seguintes fatos determinados: – a utilização de frota com idade média e máxima dentro do limite contratual e o estado de conservação dos veículos, nos últimos cinco anos; – o equilíbrio financeiro contratual após a aplicação dos subsídios públicos concedidos pelo Executivo Municipal de Campo Grande à empresa concessionária por meio das Leis Complementares 519/2024 e 537/2024; – a fiscalização feita pela Prefeitura Municipal pela Agereg e pela Agetran no serviço de transporte público prestado pela concessionária após a assinatura do TAG (Termo de Ajustamento de Gestão) perante o TCE-MS, em novembro de 2020.
Articulação de Esquerda lança Valter Pomar como candidato à Presidência do PT

O historiador e membro do Diretório Nacional do PT, Valter Pomar, registrou, neste sábado (15), sua candidatura para concorrer à presidência nacional do partido pela Articulação de Esquerda. O Processo de Eleição Direta (PED) 2025 ocorrerá no dia 6 de julho, quando será realizada a votação que irá eleger representantes de diretorias municipais, estaduais e nacional. Em declaração ao site do PT Nacional, Pomar afirmou que sua candidatura representa um projeto de direção socialista para orientar a disputa política do partido no país. O petista defende que o PT esteja alinhado com propostas de reformas estruturais, em um processo de transformação “radical” do Brasil. “Representa uma voz a mais em defesa de um partido internamente democrático, militante, presente e atuante nos territórios, nos locais de moradia, de trabalho, de estudo, de cultura e lazer”, explica o historiador. Em uma análise atual da conjuntura política e econômica brasileira e mundial, Pomar faz um alerta ao campo progressista: “Vivemos tempos de guerra, de crise do capitalismo, de catástrofe ambiental”, avalia. “Em tempos assim, se quisermos vencer, é preciso mudar nossa estratégia e nosso jeito de funcionar”. Isso só será possível, sustenta, se o PT for um instrumento “de fato” da classe trabalhadora. O candidato também detalha os desafios da próxima direção do partido, a começar por um processo de descentralização interna. “O PT precisa ser menos presidencialista e voltar a ter direção coletiva”, opina. “Falando dos desafios políticos no ano de 2025, destaco quatro: primeiro, contribuir para que o governo federal mude de rumo e recupere a bandeira da “transformação”; segundo, estimular, apoiar e protagonizar a mobilização social, inclusive como contraponto a maioria de direita no Congresso; terceiro, reforçar o debate politico ideológico contra o neofascismo e contra o neoliberalismo, criando um ambiente favorável a prender os golpistas e também ajudando a nos livrar da canga do “ajuste fiscal permanente”; quarto, fazer da cúpula dos BRICS e da COP 30 momentos de afirmar nossa política externa altiva e ativa e, também, a política de relações internacionais do PT”, elenca. De acordo com o historiador, a vitória de Lula em 2026 passa obrigatoriamente pelo enfrentamento dos quatro desafios apontados, e de outros adjacentes. Se o PT for bem sucedido na estratégia, insiste Pomar, criará “as condições para um quarto mandato bem melhor do que o atual”. “Destaco, entretanto, que nossa preocupação maior é com o partido. O PT está ameaçado, não apenas por nossos inimigos, mas também pelos nossos erros e insuficiências”, adverte o petista. Críticas ao PED Pomar também não economiza críticas ao próprio processo de renovação dos quadros do partido, o PED. “Em todos os PED realizados desde 2001, a maior parte dos filiados não compareceu para votar”, cita ele. “E a maior parte dos que compareceram, votaram sem que antes tivessem participado de um único debate entre as chapas e as candidaturas”, aponta. Pomar considera que, desde 2001, o processo foi contaminado por práticas de abuso de poder, interferências externas e até fraudes. “Apesar disso, em alguns momentos o PED foi importante para defender o partido e inclusive para mudar os seus rumos. Foi o que aconteceu em 2005 e é o que espero volte a acontecer em 2025”, conclui o candidato da Articulação de Esquerda. Acesse o comprovante de inscrição de Valter Pomar clicando aqui.
