Badaró – Outono 2020

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Sábado de atos contra o responsável por meio milhão de mortes

Manifestantes pedem vacina no braço e comida no prato em atos que aconteceram em centenas de cidades brasileiras Por Norberto Liberator e Guilherme Correia Ao menos quatro cidades, incluindo a capital, tiveram manifestações contra Bolsonaro em Mato Grosso do Sul (Foto: Norberto Liberator) Atos contra o governo federal e em favor de medidas sanitárias ocorreram em todo o país neste sábado (19). Em Campo Grande (MS), centenas de manifestantes percorreram as principais vias da região central da cidade, com concentração inicial às 9h na Praça do Rádio Clube. Trabalhadores e estudantes caminharam pela avenida Afonso Pena pedindo mais vacinas contra a Covid-19 e o impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido). A centralização do movimento foi feita pelo fórum Campanha Nacional Fora Bolsonaro, que confirmou, até ontem (18), atos em mais de 400 cidades de todos os estados brasileiros, incluindo as 27 capitais. Em outros países, também houve concentrações em pelo menos 41 cidades, nos Estados Unidos, Portugal, Alemanha, França, Finlândia, Argentina, Itália e Canadá. As manifestações ocorrem no momento em que o país ultrapassa 500 mil mortos pelo coronavírus três semanas após os atos de 29 de maio, que atraíram milhares de brasileiros, inclusive em alguns municípios sul-mato-grossenses. Em várias cidades, tais como Campo Grande, o evento deste final de semana mobilizou mais pessoas. Máscaras PFF2 e álcool em gel a 70% foram distribuídos pelos próprios organizadores, que orientaram os manifestantes a manterem o distanciamento. As medidas que reduzem a chance de infecção pelo vírus também são contrárias ao que é dito por Bolsonaro, que ironiza a proteção facial e aqueles que evitam sair de casa para diminuir a mobilidade urbana. Estiveram presentes militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), dentre outros. Parlamentares como a vereadora Camila Jara e os deputados estaduais Pedro Kemp e Amarildo Cruz, todos petistas, estiveram no ato, além do vereador Marcos Tabosa, do PDT. No início do evento, a Polícia Militar chegou até a mobilizar cavalarias, mesmo que o protesto tivesse caráter pacífico. Um dos sentidos da avenida Afonso Pena teve de ser interditado por equipes de trânsito. O professor e estudante Paulo Rosa, que esteve presente, afirma que “foi um ato bem-sucedido”. De acordo com ele, que também fez parte da organização do evento, “quem não estava usando máscaras recebeu, foi distribuído um grande número de PFF2”. Ele pontua que houve compreensão em relação ao fato de o protesto ser presencial. “Foi um ato muito grande, gostei muito de como as pessoas realmente entenderam o porquê de a gente estar fazendo isso, não teve grandes discussões por estar quebrando isolamento, entenderam a necessidade”. O professor Volmir Cardoso Pereira, vice-presidente da Associação de Docentes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Aduems), destaca que o governo já é responsável por meio milhão de mortes durante a pandemia. “Já são mais de 500 mil mortos e em plena pandemia, Bolsonaro e a direita no Congresso assumem uma agenda de privatizações e desmonte do setor público”. Volmir acredita que é necessário haver manifestações diante do atual cenário. “Os milhares de participantes deram um recado importante hoje nas ruas de Campo Grande”, aponta. Anterior Próximo Fotos: Daniel Monteiro Pandemia A defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), que ganhou corpo durante a pandemia, foi feita na manifestação. Atualmente, o sistema público encontra-se superlotado por pacientes em diversos lugares do país, sobretudo em Mato Grosso do Sul, por conta da alta de casos da doença, que tem feito vítimas cada vez mais jovens. Além disso, o sistema público tem aplicado gratuitamente a vacina contra a Covid-19 à população – o que é garantido por lei desde 1973, de acordo com o Plano Nacional de Imunizações (PNI). Vale ressaltar que o processo de imunização caminha a passos lentos, o que motiva uma série de críticas por parte dos manifestantes. A gestão Bolsonaro defende “tratamento precoce” da Covid, que já foi comprovado cientificamente não ter eficácia, em detrimento da adesão aos imunizantes, já que o líder se posicionou contrário à vacina sino-brasileira produzida pelo Instituto Butantan em diversos pronunciamentos e recusou 101 e-mails enviados pela farmacêutica estadunidense Pfizer. Anterior Próximo Fotos: Norberto Liberator
“Remédios mágicos” nas farmácias brasileiras

Mesmo ineficazes contra a Covid-19, medicamentos como cloroquina e ivermectina tiveram maior procura em 2020 Por Marcelo Soares e Gabriela Güllich Gabriela Güllich É matogrossense criada na Paraíba. Formada em Jornalismo pela UFPB, atua como quadrinista, jornalista e os dois ao mesmo tempo. Autora de “Quatro Cantos de um Todo”, HQ publicada pelo Sesc Paraíba em 2018 e “São Francisco” (Gabriela Güllich/João Velozo), livro-reportagem em quadrinhos e fotografia com narrativas do sertão e do Velho Chico, lançado em 2019. Marcelo Soares Jornalista e consultor em análise de dados na empresa Lagom Data. Mestrando na Unicamp. Ex-professor visitante de pós-graduações em jornalismo digital nas universidades ESPM (SP), PUC-RS (RS) e Positivo (PR), foi o primeiro editor de Audiência e Dados do jornal Folha de S.Paulo.
Suicídio: um problema de existências negadas
O tema do texto a seguir trata de um conteúdo complexo e infelizmente comum. Não recomendamos a leitura caso este tema seja sensível a você e possa te provocar grandes desconfortos. Em caso de sofrimento recomendamos buscar ajuda
A psicologia enquanto um discurso ético-político
A força da psicologia não pode ser utilizada enquanto instrumento de manutenção do status quo. Que seja uma ferramenta para superação das estruturas de opressão e, assim, para libertação de todos indivíduos Por Carolina de Mendonça Colaborou Leopoldo Neto O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural. (Código de Ética Profissional do Psicólogo) No dia 27 de agosto de 1962, o então presidente brasileiro João Goulart sancionou a Lei 4.119, que previa a formação e atuação trabalhista do psicologista – nome dado ao profissional de psicologia na época. Contudo, apenas em janeiro de 1964, com o decreto 53.464, o ofício foi regulamentado e somente em 1971 foi criado o Conselho Federal de Psicologia (CFP) – órgão que regulariza e fiscaliza a situação desses especialistas no Brasil. Formada em meio a uma democracia frágil, a psicologia só se regulamenta enquanto prática profissional nas vésperas do golpe civil-militar – que se perdurou em uma ditadura empresarial-militar de 21 anos. A psicologia, enquanto ciência e profissão, se inicia no Brasil servindo à lógica social e econômica vigente; afinal, a ocupação é transplantada com objetivo de auxiliar na modernização . Em tal âmbito, o país terceiro-mundista emergente passou a utilizar testes psicológicos para separar adultos (em organizações) e crianças (em escolas) entre as categorias de aptos e inaptos, o que gerou segregação através da ciência recém chegada. Logo ao chegar aqui, a psicologia também se operacionaliza nos manicômios –enquanto no continente europeu, cresciam os debates sobre abolição manicomial. Em todas regiões há manicômios, em todos os manicômios há denúncias de maus-tratos de funcionários. E a psicologia está lá, validando o discurso de poder de um suposto saber da psiquê daqueles internos. Felizmente, o movimento para fechamento dessas instituições chega no território nacional. A psicologia se mostra ativa na luta antimanicomial; e passa a integrar o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), por uma reforma psiquiatria – antipsiquiatria tradicional. Se ao chegar no território nacional, imerso em uma ditadura, a psicologia reforça opressões, poucos anos depois os psicólogos lutavam por uma democracia que possibilitasse direitos de cidadania a todos habitantes brasileiros. Apoia criação de estatutos voltados às minorias, reforma na saúde mental e criação do Sistema Único de Saúde – o essencial SUS. A psicologia nunca é neutra. Qualquer pressuposto que afirme uma neutralidade da ciência e da prática psicológica, demonstra um desconhecimento da área e um claro reforço à lógica vigente – lógica esta que é cruel, genocida e aniquila a subjetividade do outro. A psicologia, enquanto ciência e profissão, pode tanto ter um discurso de violência, ao reforçar o status quo que reduz o sujeito, como pode ser uma importante ferramenta de transformação social. Dependerá da forma que o profissional utiliza de seus conhecimentos – ou desconhecimentos– em sua prática. O discurso psicológico sempre é político, se não for associado a uma ética clara, que se baseei na Declaração Universal dos Direitos Humanos, acaba por desrespeitar a atividade profissional. A partir dos anos 1990, a psicologia lida com uma nova questão ético-política: o avanço dos psicotrópicos. A psiquiatria retoma com força, que só aumenta desde então, baseada em um discurso que limita o sofrimento do sujeito e o reduz a aspectos químicos, resolvíveis com remédios. O neoliberalismo se apodera desse discurso lucrativo e reducionista. O sistema de ideias vigente na psiquiatria cria uma forma de manicomialização – institucionalizando o agente por remédios. A simplificação da dor psíquica reduz o sujeito e produz uma necessidade de consumo. A medicalização não é de todo ruim, porém ao ser utilizada como forma de manter o paciente passivo a sua dor, acaba por destituir o seu potencial de transformar o contexto vivido, mas com suficiente força de trabalho para permanecer sendo explorado. A psicologia se mostra pouco crítica ao poder psiquiátrico, reforçando a lógica perversa que adoece o indivíduo. A psicologia brasileira tem uma grande história de clínica individual a ser superada. Não enquanto uma prática, mas enquanto uma lógica que individualiza os problemas do atendido a si mesmo – desajustes na força de vontade ou na forma de existir. A prática individual é uma maneira de transformação, contudo, ao alienar ao sujeito para além das estruturas que os cercam, os psicólogos tendem reforçar racismo, misoginia, LGBTfobia entre outras problemáticas. E não fortalecer o indivíduo a superar os discursos de opressão. A psicologia também reduz o sujeito na assistência social. Apesar de ser uma das áreas que mais emprega esses profissionais no país, a formação acadêmica é deficitária nesse aspecto. Problemas estruturais, como a negação de direitos e de violências são colocados a parte da psique e não como produtores ativos de adoecimento psicológico. Por causa da pandemia de Covid-19, o Brasil vive uma crise – sanitária, econômica, política, social e humanitária. Por seu turno, a crise sanitária trouxe à tona problemas sociais profundos causados pela lógica do neoliberalismo em um país que tem fome e morre por opressões sistemáticas. O discurso da psicologia se faz presente nesse contexto, porém sua força se dá ao reforçar o status quo. Para o sistema neoliberal, não há tempo para se elaborar a dor, mesmo com tantas dores potencializadas ou trazidas pelo espaço social. Afinal, O Brasil não pode parar. Os psicólogos e as psicólogas, no início da quarentena, se propuseram a sugerir para muitos trabalhadores formas de melhorar a produtividade no novo contexto. Propostas estas que ignoram problemáticas que afetam a saúde do sujeito e os reduzem a meras máquinas destituídas de subjetividade. O isolamento social foi catalisador para o aumento de violência doméstica. A negligência com indígenas aldeados causa um genocídio desta população. O isolamento entre encarcerados no país foi intensificado, não há visitas e se propõe julgamentos por vídeo-chamada. Nestes locais se prolifera o vírus, as torturas e se piora a saúde psíquica de um grupo abandonado. Crianças negras são assassinadas dentro de casa pela polícia militar. É ateado fogo em aldeias, quilombos, reservas ambientais e qualquer espaço de resistência ao perverso agronegócio. A “saúde mental”
