Nota de Pesar pelo falecimento de Ziraldo

A Badaró vem a público manifestar seu imenso pesar pelo falecimento do ilustrador e jornalista Ziraldo Alves Pinto, ou simplesmente Ziraldo, aos 92 anos, neste sábado (6 de abril). Ziraldo integrou, durante o período da ditadura militar-empresarial, o jornal O Pasquim, uma das principais inspirações para a criação da Badaró. A chamada “patota do Pasquim” fazia franca oposição ao regime, por meio do humor gráfico. O próprio Ziraldo e outros membros chegaram a ser presos. A linguagem textual e a presença marcante de quadrinhos, colagens e charges fez do Pasquim um marco na imprensa brasileira. Engajado politicamente, Ziraldo utilizou sua arte para expressar posições de esquerda e em favor da soberania nacional. Pessoalmente, foi ativo na vida política. Em 2018, por exemplo, mesmo internado fez questão de dizer em vídeo que votaria é que pedia votos em Fernando Haddad, então candidato do PT à Presidência, e que jamais votaria em Jair Bolsonaro, ao contrário do que diziam fake news à época. Mesmo sua obra para o público infantil não fugiu à abordagem politizada. O Menino Maluquinho, sua criação mais destacada, exprime questionamentos ao capitalismo e à sociedade de consumo. Os livros “Flicts” e “O Menino Marrom” tratam da temática racial. Ziraldo tinha como poucos a habilidade de levar temas relevantes às crianças de forma cativante a elas. Além disso, jamais permitiu o uso de seus personagens para publicidade de grandes corporações. A Badaró transmite sua solidariedade a familiares, amigos e fãs. Que a obra de Ziraldo siga inspirando novas gerações. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Nota de pesar pela morte de Paulo Caruso

A Badaró lamenta a morte do cartunista Paulo Caruso, no último sábado, 4 de março. Paulo, junto a seu irmão gêmeo Chico, foi uma das figuras mais importantes dos quadrinhos brasileiros e da união da arte ao jornalismo. Nossa existência enquanto veículo jornalístico não seria possível sem O Pasquim, publicação crítica à ditadura militar que foi precursora no jornalismo visual, da qual Paulo participou ao lado de Henfil, Ziraldo, Jaguar, Tarso de Castro, Martha Alencar, Iza Salles, Luiz Carlos Maciel e outros artistas e jornalistas. Enviamos condolências aos familiares e amigos. Twitter Youtube Facebook Instagram
O Manifesto

Em defesa do potencial artístico do jornalismo e do potencial jornalístico da arte “Sou parcial mesmo. Não acredito em jornalista que não seja parcial; são babacas”. Esta frase de Tarso de Castro, editor-chefe da primeira fase do jornal O Pasquim, ajuda a guiar a Badaró na busca por um jornalismo francamente combativo, que se posicione em favor dos setores mais vulneráveis da sociedade. A pretensa neutralidade é um posicionamento favorável ao opressor. Com estreia no final do ano de 2019, em um contexto político de perda de direitos, a Badaró se propôs desde o início a ser um veículo de posição independente e contra-hegemônica. Tal escolha está presente não apenas no conteúdo das produções, mas também na forma, tendo assim escolhido se manifestar principalmente a partir do jornalismo em quadrinhos, linguagem pouco conhecida do grande público, e esporadicamente por vídeos, ilustrações, colagens, infográficos e podcasts. Destacamos o potencial artístico do jornalismo e o potencial jornalístico da arte. Decidimos percorrer nosso caminho por meio do encontro entre estas duas formas de comunicação. A arte sem contestação serve apenas para decoração ou consumo distraído; o jornalismo sem contestação está a serviço da ordem vigente. A explicitação das posturas políticas começa pelo nosso próprio nome, uma referência ao jornalista ítalo-brasileiro Giovanni Libero Badaró, primeiro mártir da imprensa nacional, assassinado após combater o autoritarismo do imperador D. Pedro I. Em um contexto de perseguição política à imprensa independente, Libero Badaró afirmou a seguinte frase em seu jornal O Observador Constitucional: “altamente declaramos que não temos o menor medo de ameaças. Aconteça o que acontecer, a nossa vereda está marcada e não nos desviamos dela: não há força no mundo que nos possa fazer dobrar, senão a da razão, da justiça”. Dois séculos depois, diante da precarização do trabalho jornalístico e do alinhamento dos grandes conglomerados midiáticos à ordem dominante, a Badaró acredita que a imprensa alternativa, orientada por uma perspectiva crítica, possua ferramentas para colaborar com uma sociedade mais igualitária. A mídia corporativa e sua defesa da democracia burguesa não nos servem como modelo. Neste sentido, o chavão de que o jornalismo é essencial para a democracia deve ser melhor contextualizado: defendemos que um modelo de imprensa crítico ao capitalismo é uma das linhas de frente na luta por uma democracia popular, na qual interesses coletivos sejam mais importantes do que os interesses econômicos da burguesia. A esta imprensa crítica se somam a atuação de artistas engajados, sindicatos, partidos políticos de esquerda e movimentos sociais. Por fim, a Badaró defende que um jornalismo combativo e renovado, que fuja ao modelo tradicional controlado por oligarquias, seja uma forma de enfrentar a crise pela qual a imprensa como um todo tem passado. Novos padrões midiáticos também podem apontar caminhos para o combate às redes de desinformação, que, para além de negar a ciência e o jornalismo, são resultado de novas estratégias de manutenção do próprio capital. É por este caminho que temos buscado pautar nossa prática jornalística no que diz respeito à técnica, estética e ética. Twitter Youtube Facebook Instagram
