“Aqui não é lugar de viado”: violência expõe permanência de um Brasil estruturalmente LGBTfóbico

Jovem foi agredido no Centro de Campo Grande Vitória Regina Correia No último fim de semana, um estudante de 23 anos foi alvo de uma agressão violenta por um grupo de aproximadamente dez homens, nas proximidades da Feira Central, em Campo Grande/MS. O ataque, ocorrido em frente ao Armazém Cultural, é mais uma expressão das normas sociais q que buscam controlar como as pessoas devem se relacionar e se identificar quando o assunto é gênero e sexualidade. Segundo a vítima, as agressões tiveram motivação homofóbica, imediatamente após ele beijar outro rapaz — um gesto que subverte as expectativas normativas do espaço público. Uma das vítimas relatou que sobreviveu ao ataque apenas porque usava capacete. Esse ato de violência, marcado por ódio explícito, não é um episódio isolado. É a expressão de uma homofobia estrutural que atravessa as relações sociais brasileiras e que, historicamente, é reforçada por discursos e práticas que relegam pessoas LGBTQAPN+ a espaços de marginalidade e exclusão. O Brasil permanece, há mais de uma década, entre os países que mais matam a população LGBTQAPN+. Em 2024, foram registradas 291 mortes violentas motivadas por LGBTfobia, um aumento superior a 8% em relação a 2023, segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia, a mais antiga organização LGBTQ+ da América Latina. Campo Grande figura como a 5ª capital mais perigosa para essa população, atrás apenas de Cuiabá, Palmas, Teresina e Salvador. Essa posição revela como a violência contra LGBTQAPN+ não está restrita a grandes centros ou a regiões específicas, mas é parte de um padrão nacional, marcado por desigualdades regionais, impunidade e um cenário político que, em muitos momentos, legitima a intolerância. A declaração dos agressores de que “aqui não é lugar de viado” não é apenas justificativa verbal de um ato de violência, mas a enunciação performativa de uma norma que demarca quais vidas podem habitar o espaço público — e quais devem ser expulsas dele. Trata-se da atualização de uma política não codificada juridicamente, mas sedimentada nas práticas sociais, que reafirma a precariedade de corpos e práticas considerados dissidentes e nega a eles o direito de existir sem medo. Instagram Twitter Youtube Tiktok

É FAKE que Camila Jara tenha “assumido agressão” contra Nikolas em vídeo

Fala de deputada é diferente de legenda e título de vídeo divulgado em redes sociais Norberto Liberator Um vídeo tem circulado em redes sociais, em círculos de extrema direita, com imagens da deputada federal Camila Jara (PT-MS) em uma conversa informal. De acordo com a legenda e título, a parlamentar teria “confessado que deu soco” no deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O próprio Nikolas chegou a postar o material em seus perfis. No entanto, uma análise simples do áudio e do contexto desmente a versão. No vídeo em questão, Camila está em um corredor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), conversando com assessores. Um dos interlocutores diz que, quando é perguntado sobre como está a deputada, responde que “a Camila está ótima”.  Em outro trecho, Jara afirma que “a mãe ensinou a não bater no coleguinha”, em referência à acusação feita pelo parlamentar bolsonarista. “E continua”, afirma um assessor. A legenda, no entanto, foi manipulada para condicionar os espectadores a entenderem que Camila tivesse afirmado “vamo bater no coleguinha”. “Vai ver meu braço aqui”, diz a deputada, apontando que não teria sequer condições de agredir o colega. Camila faz referência ao ombro paralisado devido ao tratamento de um câncer. “Pior que eu dei, eu estava com o braço, foi com o braço doído”, prossegue a parlamentar. “Não, não perdeu o valor”, responde um dos interlocutores. A expressão “pior”, na forma empregada no vídeo, é comum em Mato Grosso do Sul e corresponde ao termo “na verdade”. De acordo com um assessor parlamentar presente durante a conversa, que atua com outro parlamentar e foi escutado pela reportagem, a expressão “pior que eu dei” se refere ao empurrão revidado por Camila em Nikolas, que a havia empurrado primeiramente. “O ombro dela está doendo há tempos. O que eles estão dizendo é que ela admite ter dado um soco nele, e ela não deu”, afirma a fonte, cuja voz também é registrada no vídeo. Entenda o caso A confusão com Nikolas Ferreira se deu na quarta-feira (6 de agosto), durante a retomada da cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O parlamentar reocupou seu assento após um motim de deputados bolsonaristas que haviam invadido a mesa, ameaçando “parar o país” caso Jair Bolsonaro não fosse solto.  Durante a recondução de Motta, parlamentares favoráveis e contrários à performance realizada pelos extremistas de direita se aglomeraram no local. Ao tentar tomar a frente para filmar a cena, Camila foi barrada por Nikolas, reagindo com um empurrão.  No mesmo momento, Hugo Motta se acomodou na cadeira, que é empurrada para trás. As imagens mostram Nikolas se abaixando, mas não há indícios de que tenha sido derrubado. O deputado acusa Camila de tê-lo dado um soco nos testículos. No entanto, a deputada permanece com o celular nas mãos. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Luso de Queiroz anuncia saída do Psol

Sociólogo foi candidato da legenda à Prefeitura de Campo Grande em 2024 Norberto Liberator Luso de Queiroz, ex-candidato à prefeitura de Campo Grande (MS), anunciou sua saída do Psol. A divulgação foi feita em entrevista ao portal Folha Publicitária, nesta terça-feira (29). A decisão, segundo ele, foi tomada após reflexões e diálogos, motivada por divergências com a gestão interna do partido.  “Um partido de esquerda precisa priorizar os trabalhadores, não interesses pessoais de alguns”, afirmou Luso, criticando o que descreveu como uma estrutura que favorece “negócios familiares” dentro do Psol. Ele agradeceu os laços construídos ao longo de sua trajetória na federação Psol-Rede, mas enfatizou a necessidade de mudança.  Luso destacou o crescimento de seu grupo político nas eleições de 2024, mesmo sem conquistar mandatos. O coletivo, segundo ele, segue engajado na produção de conteúdos, estudos e articulações para fortalecer sua atuação.  “Nosso grupo se fortaleceu com a eleição de 2024, não paramos de produzir e estudar, ampliamos nossos braços e vozes”, declarou. Sobre seus próximos passos, Luso revelou que está em negociações avançadas com outra legenda e planeja formalizar a nova filiação até setembro. Nos bastidores, comenta-se que o sociólogo deve se filiar ao PT ou ao PDT.  Ele também confirmou que seu grupo manterá o nome à disposição para disputas eleitorais, seja para cargos majoritários, como o governo estadual, ou proporcionais, como deputado. “ Quem decidirá, no final, serão as conjunturas políticas naturais do processo democrático. Estamos tranquilos com isso”, afirmou.  Instagram Twitter Youtube Tiktok

20 anos de UFGD: projeto de Educação pública do interior bem-sucedido

Universidade completa duas décadas de serviços prestados a Mato Grosso do Sul e ao Brasil Tiago Botelho* Hoje, 29 de julho de 2025, celebramos duas décadas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), uma instituição que transformou vidas — e eu sou prova viva disso. Fui aluno da UFGD no curso de História e da pós-graduação em Direitos Humanos e Cidadania. Andei por esses corredores cheio de sonhos e incertezas, como muitos filhos do interior que chegam em Dourados em busca de uma formação, mas com a esperança firme de que a educação pública poderia me levar mais longe. E levou. Hoje, tenho a honra de ocupar o lugar que um dia foi do outro lado da sala: passei de aluno para professor e coordenador do curso de Direito da UFGD. A UFGD consolidou-se como um projeto de educação superior pública, interiorana e de excelência. Sua criação, em 2005, foi resultado de uma articulação da comunidade acadêmica e do Partido dos Trabalhadores com o governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo do estado, sob Zeca do PT, e o então prefeito de Dourados e professor da UFGD, Laerte Tetila. A UFGD nasceu do desmembramento do campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Dourados, por meio da Lei nº 11.153, sancionada por Lula em 29 de julho de 2005. Essa iniciativa foi parte de uma política nacional de expansão e interiorização do ensino superior público, visando democratizar o acesso à educação de qualidade. A presença do presidente Lula na inauguração da universidade simbolizou o compromisso do governo com a educação e o desenvolvimento do interior de Mato Grosso do Sul. Foi um marco para Dourados, para o Mato Grosso do Sul e para tantos estudantes que, como eu, tiveram acesso ao ensino superior de qualidade e gratuito sem sair do interior. Recentemente, UFGD enfrentou um período desafiador, marcado por uma intervenção do governo Bolsonaro que desconsiderou a autonomia universitária e os princípios democráticos que regem a educação pública. Apesar dessas adversidades, a UFGD resistiu graças ao comprometimento de sua comunidade acadêmica, formada por homens e mulheres que acreditam que a educação pública de qualidade só é possível com democracia. A mobilização conjunta de estudantes, professores e técnicos foi fundamental para superar esse capítulo difícil e reafirmar os valores que sustentam a universidade. Hoje, a UFGD continua sendo um farol de conhecimento, democracia e humanidade, comprometida com a formação de cidadãos críticos e com a promoção de uma sociedade mais justa, igualitária e democrática. Ao longo desses 20 anos, a UFGD expandiu significativamente sua atuação. Atualmente, oferece 37 cursos presenciais de graduação, seis cursos a distância e 27 programas de pós-graduação stricto sensu, além de cursos de especialização e residências. A universidade também se destaca por sua política de inclusão, com ações voltadas para comunidades indígenas, quilombolas e assentamentos rurais, promovendo a diversidade e a equidade no acesso ao ensino superior. Mais do que uma universidade, a UFGD representa um projeto coletivo de um Brasil mais justo, mais crítico, mais científico e mais preparado para os desafios do presente e do futuro da democracia brasileira. *Tiago Botelho é doutor, mestre em Direito, advogado e professor do curso de Direito da UFGD Instagram Twitter Youtube Tiktok