Zapatistas atribuem vitórias da extrema direita a erros da esquerda na América Latina

Tema foi abordado durante evento que celebra 32 anos de levante histórico do movimento mexicano Por Norberto Liberator (com informações de La Jornada) Instagram Twitter Youtube Tiktok
Giro pelo mundo: crise do Pix, cessar-fogo cancelado, posse de Trump e mais

Boletim ilustrado dos principais acontecimentos da semana Por Norberto Liberator Norberto Liberator Jornalista, ilustrador e quadrinista. Interessado em política, meio ambiente, artes e esportes. Instagram Twitter Youtube Tiktok
México: continuidade e desafios

Vitória de Claudia Sheinbaum e maioria no Congresso consolidam projeto de López Obrador, mas há políticas que precisam ser revistas Por Norberto Liberator Norberto Liberator Jornalista, ilustrador e quadrinista. Interessado em política, meio ambiente, artes e esportes. Instagram Twitter Youtube Tiktok
México 200 anos: Sem milho não há país

Por Gabriel Neri e Mateus Moreira Terceiro país em população nas Américas, o México completa dois séculos de independência neste dia 27 O território mexicano esteve sob o domínio dos espanhóis durante quase 300 anosa partir das Grandes Navegações no século XVI. O movimento de emancipação ganhou força somente no início do século XIX, quando os independentistas pressionaram a metrópole invasora pela liberdade do país latino-americano. Nesse período, as divergências políticas e religiosas se tornavam cada vez mais agudas. Na madrugada do dia 16 de setembro de 1810, a luta pela independência esteve em seu estado mais puro, graças ao movimento liderado pelo padre Miguel Hidalgo y Costilla. Este foi apenas o início de uma mobilização que durou cerca de oito longos anos, passando por diversas fases até culminar na emancipação mexicana. Os fatores religiosos, que eram protuberantes no conflito, deram lugar à questão republicana, que ganhava cada vez mais força. O processo que levou à Independência do México não era de fato homogêneo, sendo o responsável por unir grupos improváveis. Na luta pela liberdade, uniram-se em aliança os liberais, defensores da democracia do México e os conservadores, defensores da implantação de uma monarquia. Ambos os grupos, apesar de suas perspectivas conflitantes, uniram-se diante do propósito de tornar o México independente, deixando que após a conquista da autonomia ele escolhesse por si mesmo o próprio destino. Após a morte de Miguel Hidalgo, José Maria Morelos y Pavón foi quem assumiu o movimento insurgente, sendo o responsável por organizar uma estratégia que isolaria a Cidade do México, visando a promulgar a independência no dia 6 de novembro de 1813. Mas no ano de 1815, Morelos foi assassinado, o que invalidou a soberania mexicana. Foi a partir deste momento que a emancipação do México incorporou características de guerra. José Miguel Ramón Adaucto Fernández y Félix, conhecido como Guadalupe Victoria, e Vicente Guerrero se destacaram como líderes do movimento independentista entre os anos 1815 e 1821, quando Augustín de Iturbide, um espanhol, passou a defender a causa da independência. No dia 24 de agosto de 1821, na Cidade do México, o exército da libertação forçou a renúncia do vice-rei espanhol Fernando VII e a assinatura do Tratado de Córdoba, que reconheceu o país da América do Norte como independente. Agindo na contramão do movimento, Iturbide se autoproclamou imperador, o que resultou em uma rebelião dos mexicanos. O movimento contra o então imperador culminou na criação dos Estados Unidos Mexicanos, em 1823, e consagrou Guadalupe Victoria como o primeiro presidente do país no ano seguinte. O saldo da guerra iniciada em 16 de setembro de 1810 e terminada em 27 de setembro em 1821 foi de cerca de 600 mil mortos, sendo a maioria dos óbitos guerrilheiros pela independência e a minoria representantes da Coroa Espanhola. Mas, a luta pela liberdade ainda não havia terminado. O milho mexicano O México é um país riquíssimo em diversidade de milho. Buscando os pratos típicos da região como as tortillas, tacos, polvorón, pozole, entre outros, é difícil encontrar um sem a presença do cereal. São milhares de variações, de cores, de gostos e usos cultivados por milhares de anos. Antes mesmo da invasão por parte dos espanhóis descrita acima. O milho é uma parte substancial da história mexicana, sendo cultivado desde as baixas altitudes até os lugares mais altos. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o país é o quinto maior produtor do mundo com 28 milhões de toneladas por ano, atrás de Estados Unidos, Brasil e Argentina. Ou seja, além da história, do costume e de toda a cultura envolvida, o grão cumpre importante papel econômico para o país de 125 milhões de habitantes. Mas um dos maiores perigos para o México e para o mundo nos últimos séculos foi o advento das sementes transgênicas e seus derivados, produzidos principalmente pela Monsanto. Essa empresa estadunidense foi comprada pela alemã Bayer há alguns anos e mudou seu nome para Bayer Crop Science. O objetivo da farmacêutica era se afastar da má reputação da Monsanto, só que mantendo seus produtos. Sendo Bayer ou Monsanto, o intuito da empresa é dominar o mercado de sementes no mundo inteiro, o que consequentemente controla a alimentação de bilhões de pessoas. Para conceituar, os transgênicos, como o nome sugere, são organismos geneticamente modificados para obter características desejadas como cor, tamanho, ciclo produtivo, entre outros. O México tem 64 variedades catalogadas atualmente em várias cores (preto, branco, amarelo, vermelho, roxo, entre outros) e a saga contra os transgênicos é quase uma guerra. Pela legislação atual, o país proíbe o cultivo de sementes geneticamente modificadas em território nacional justamente para preservar suas raízes. Neste ano, a Bayer entrou com uma ação na justiça para mudar essa situação, mas foi negada. Para conceituar a invasão da Monsanto com os transgênicos e a relação do milho no México, deixamos dois documentários – O Mundo Segundo a Monsanto (2008) e El Maíz En Tiempo de Guerra (2016). No México, uma das entidades que lutam por segurança alimentar desde 2007 é a causa Sin Maíz No Hay País (Sem Milho Não Há País), composta por mais de 300 organizações indígenas, campesinas, ambientalistas, cientistas, mulheres, estudantes e outras mais. A campanha tem em seus objetivos a reforma agrária, a garantia de alimentação para todos os mexicanos e a proibição do cultivo de transgênicos. Todos os anos, a entidade celebra o Dia Internacional e Nacional do Milho em 29 de setembro. O intuito é valorizar o grão e protestar contra as grandes empresas do monopólio de sementes como a Bayer-Monsanto. “Que a nossa celebração seja tão rica e variada quanto o milho!” é o lema que eles carregam todos os anos.
