É crime pedir voto em templos, como fez prefeita em igreja denunciada

Evento de Adriane Lopes com “celebridades” da extrema direita fere legislação eleitoral e foi realizado em igreja envolvida em escândalos Por Norberto LiberatorArte: Vitória Regina   A legislação proíbe a realização de propaganda eleitoral em bens de uso comum, como é o caso de templos religiosos. A regra está no artigo 37 da Lei das Eleições (n° 9.504/1997). A proibição se estende à campanha eleitoral em clubes, cinemas, lojas, escolas, centros comerciais e estádios, mesmo que sejam de propriedade privada. Neste sentido, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), cometeu crime eleitoral ao realizar o evento “Mulheres que Transformam”, com a presença de expoentes da extrema direita como Michelle Bolsonaro, Damares Alves, Celina Leão e Tereza Cristina. O evento ocorreu na igreja Aliançados Arena, localizada no centro de Campo Grande. Não é a primeira vez que a Aliançados se vê diante de uma inconformidade com a lei. A igreja onde Adriane cometeu crime eleitoral enfrenta acusações de assédio moral, abuso financeiro, corrupção, golpes milionários em compra de terrenos e outros crimes. O líder da igreja, autodenominado Apóstolo Denilson Fonseca, enfrenta (entre outros) um processo por parte do ex-pastor Paulo Cesar Lemos, que o acusa de enriquecer ilicitamente, quebrar contratos, não cumprir com direitos trabalhistas e praticar humilhação e constrangimento contra pastores e funcionários. Já Adriane Lopes é investigada por improbidade administrativa pela chamada “folha secreta”, o pagamento de salários exorbitantes a servidores comissionados da Prefeitura. São verbas sem previsão legal e não declaradas no Diário Oficial ou Portal da Transparência. De acordo com a vereadora Luiza Ribeiro (PT), que pediu investigação ao MP, a “farra” da prefeita pode ter custado meio bilhão de reais aos cofres públicos. Instagram Twitter Youtube Tiktok

UFMS: Laboratório do olavismo nunca mais (?)

Editorial | Universidade decide em maio se mantém grupo que aderiu a projetos bolsonaristas na educação Ao contrário dos delírios da extrema-direita, as universidades públicas do Brasil estão longe de ser espaços dominados por ideologias de esquerda. Quando se trata de um estado com grande influência bolsonarista, como Mato Grosso do Sul, isso fica ainda mais evidente. Neoliberalismo, conservadorismo e arbitrariedade compõem o cenário da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). A UFMS foi, por exemplo, a única que se propôs a aderir ao Future-se, projeto do então ministro da Educação de Jair Bolsonaro, o infame Abraham Weintraub. A proposta, que não foi implementada, consistia em manter a educação superior pública a partir de investimentos privados. O Future-se, apelidado de “Fatura-se”, foi anunciado logo após um corte sem precedentes nos recursos das universidades. Era evidente que, se implementado, o Future-se representaria uma ameaça a milhares de cursos e projetos de pesquisa em todo o Brasil, já que apenas o que fosse considerado lucrativo seria apoiado por empresas privadas. A lógica do lucro não opera no mesmo tempo que a pesquisa acadêmica exige, nem nos mesmos objetivos que a ciência enquanto bem público deve buscar. Assim, no final do ano de 2019 estudantes realizaram a ocupação do Bloco VI, onde operavam, à época, cursos como Ciências Sociais, Psicologia, Jornalismo, Filosofia e História. A reação da reitoria da UFMS, durante a primeira gestão do atual reitor Marcelo Turine, foi acionar a Polícia Federal contra alunos que se encontravam no local. 61 pessoas foram intimadas. Além disso, houve um corte na energia elétrica do bloco, que dificultou as condições diante da falta de luz, internet, água gelada e ventilador, lembrando que Campo Grande frequentemente chega a sensações térmicas superiores a 40ºC. Uma roda de capoeira chegou a ser realizada à luz de velas. Os acadêmicos só conseguiram mantimentos básicos graças a doações solidárias de professores. Em 2020, a Reitoria convidou o criacionista Marcos Eberlin para palestrar na abertura do evento “Integra UFMS” – e o pior: ele aceitou. Eberlin utilizou do espaço para atacar a teoria da evolução e evocar senso-comum de cunho religioso, o que gerou protestos de pesquisadores. Já em 2021, a gestão Turine disponibilizou a UFMS para servir como cobaia da implementação do programa “Famílias Fortes”, da então ministra da Família e Direitos Humanos, a fundamentalista evangélica Damares Alves. O projeto, que se apresenta com o objetivo de “fortalecer famílias”, tem como metas “evitar comportamentos de risco” e “a iniciação sexual precoce”, embora não especifique os termos. A Universidade passou a servir como local dos “cursos para famílias”. Anterior Próximo No lançamento do programa, ocorrido na UFMS, o discurso foi de “resgate dos valores tradicionais”. O deputado federal bolsonarista Luiz Ovando (PP-MS) afirmou que o “único modelo digno de família” é o “instituído na Bíblia, em Gênesis”. O “Famílias Fortes” considera, portanto, um único modelo de família como válido e é a ele que busca fortalecer. Caso fosse política interna de uma igreja, haveria liberdade para tal. No entanto, ele se deu como política governamental e utilizou-se dos espaços de uma universidade pública, portanto laica pela Constituição. Também houve, no mesmo ano, o desembolso de 51,2 mil reais para contratação, sem licitação, do coach Karim Khoury para palestra sobre suicídio. Khoury não possui sequer formação nas áreas de psicologia ou psiquiatria e utiliza uma abordagem ultrapassada, como dizer às pessoas para “lutar contra as vozes de suas cabeças”. No mesmo ano de 2021, ainda sob a pandemia da Covid-19, a reitoria planejou o retorno às aulas em regime híbrido, o que gerou reações entre servidores e estudantes. Em 2022, com a volta às aulas presenciais, a UFMS recusou o “passaporte da vacina”, ou seja, condicionar a possibilidade de retorno à comprovação de vacinação. O projeto neoliberal e de contornos reacionários representado pela atual gestão da UFMS é representado, nas eleições para a reitoria que ocorrem em maio, pela atual vice-reitora Camila Ítavo, que concorre à vaga de reitora tendo Albert Schiaveto como vice. Ela ainda conta com uma linha auxiliar, o professor Ruy Corrêa Filho, cuja vice é Luciana Contrera. Contra a política vigente, o professor Marco Aurélio Stefanes, ex-presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFMS (Adufms), também apresentou sua candidatura, tendo como vice a professora Ana Denise Maldonado.  Mais do que o lançamento de um nome, a chapa de oposição representa um grupo político, que esteve à frente de movimentos como Vacina Já, da defesa do protocolo vacinal e da mobilização pela revogação da nova Base Nacional Comum Curricular – que, entre outras medidas, unificou a formação de professores de licenciatura na mesma matriz curricular, que não leva em conta as especificidades de cada instituição e localidade. Diante da realidade que se apresenta, a Badaró enxerga a necessidade de posicionamento, enquanto veículo fundado por estudantes da UFMS em 2019, no contexto da mobilização contra o Future-se e os cortes na educação. Sendo assim, a Badaró declara seu apoio à chapa “UFMS em Movimento”, formada pelos professores Marco Aurélio Stefanes e Ana Denise Maldonado, e convida a comunidade acadêmica a exercer seu direito de voto no dia 10 de maio. Instagram Twitter Youtube Tiktok

As chamas do racismo religioso contra os guarani-kaiowá e guató

Incêndios criminosos já se tornaram rotina entre comunidades indígenas de MS Por Maju Monteiro (arte) e Norberto Liberator (roteiro)Fonte utilizada para legendas: Toth 1, de Octavio Cariello Maria Júlia Montero Quadrinista, ilustradora e comunicadora popular. Interessada em artes, feminismo e internacionalismo. Norberto Liberator Jornalista, ilustrador e quadrinista. Interessado em política, meio ambiente, artes e esportes. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Rolê No Bueiro: qual o lugar da dança em Mato Grosso do Sul?

“No Bueiro” é o lugar da dança sul-mato-grossense? “No Bueiro” é onde querem inserir os trabalhadores da cultura deste estado? Ficam abertas tais perguntas e, enquanto isso, dancemos No Bueiro e façamos ritmos e resistências Por Maria Fernanda Figueiró e Vitória Regina A história da dança em Mato Grosso do Sul envolve inúmeros nomes e experiências que conjuram também com o desenvolvimento histórico do estado, afinal, é pela cultura que se constrói a realidade e a identidade de um povo. Não há dúvidas, então, de que a arte sempre se presentificou como um saber que pode ser instrumentalizado para diferentes fins, dentro das relações complexas envolvidas nos contextos sociais e históricos em que se manifestam, podendo inclusive, através de sua diversidade de linguagens e expressões, ser uma ferramenta de exploração. Pensar especificamente na dança sul mato-grossense é retomar uma outra trama histórica entrecortada por diferentes peças que nos auxiliam a compreender os contextos plurais atuais. As potencialidades expressadas pelas diversas modalidades de dança que surgiram e se desenvolveram em Mato Grosso do Sul indicam uma realidade em que essas buscam por mais reconhecimento, dentro de um estado que talvez ainda subestime as múltiplas e potentes formas que este pode dançar. A luta dos profissionais da dança do estado sempre foi pela garantia dos seus direitos, pelo reconhecimento da importância da categoria para o corpus social, e pela busca da transformação da realidade através da dança e de seu ensino. Por isso, questionarmos sobre quais companhias ou artistas da dança nós conhecemos e acompanhamos no nosso dia a dia, ou, dentro das possibilidades, qual foi a última vez que fomos prestigiar um espetáculo e/ou performance de dança se faz tão preciso quanto sabermos quais músicos, artistas plásticos, atores e cineastas compuseram e compõem nosso discurso enquanto estado, afinal, tais significantes não se desassociam ao refletirmos sobre como e por que, historicamente, chegamos até aqui. Arte: Vitória Regina Foi pensando nestas questões que o Projeto Nonada e InChrise criaram o Rolê No Bueiro, um evento cultural que, instigado em dar uma resposta às provocações citadas, pretende inserir a dança como atração principal nos eventos noturnos de Campo Grande, promovendo a expressão dos pesquisadores e trabalhadores da área em contextos distintos de sua costumeira aparição. Portanto, o evento, que possui como intuito sua circulação em diferentes bares da cidade conforme cada edição, é caracterizado por seu anseio de focalizar maior visibilidade nas diferentes modalidades e vertentes de dança que seus representantes executam, de forma a incentivar a criação de um público de dança mais diversificado e plural. A escolha do nome do evento se estabelece, então, como uma provocação a este recorte que os artistas proponentes observam acerca da forma marginalizada com que a dança é tratada, se comparada com outras vertentes artísticas no estado, um paradoxo manifesto ao se lembrar da força que a categoria da dança tem no mesmo local, e da importância histórica desempenhada pela mesma na consolidação de uma identidade cultural. A primeira edição do evento aconteceu no Aporé Espaço Cultural, no dia 11 de setembro de 2022 e, com a casa cheia, contou com oito apresentações de dança de artistas de diferentes vertentes e mais dois DJs convidados, que aqueceram a pista entre cada apresentação. Visando a rotatividade, a segunda edição ocorrerá no próximo domingo, 11 de dezembro, no Capivas Cervejaria – e todo valor arrecadado na entrada será destinado aos artistas participantes. “No Bueiro” é o lugar concernente para um prisma de potencialidades artísticas que, cotidianamente, resistem a todo esforço histórico para desmobilização de seus trabalhos? “No Bueiro” é o lugar da dança sul-mato-grossense? “No Bueiro” é onde querem inserir os trabalhadores da cultura deste estado? Ficam abertas tais perguntas e, enquanto isso, dancemos No Bueiro e façamos ritmos e resistências compartilhando do poder da arte em busca de emancipação. Maria Fernanda Figueiró     Acadêmica de Psicologia pela UFMS, atua há mais de 16 anos na área da dança e atualmente é intérprete criadora das companhias de dança Cia do Mato e Ginga. Vitória Regina     Marxista e psicóloga. Debate política, psicologia e cultura. Twitter Youtube Facebook Instagram

Quem é Capitão Contar, candidato símbolo da hipocrisia ultraconservadora

Candidato ao governo de Mato Grosso do Sul subiu nas intenções de voto após apoio de genocida e segue cartilha extremista com pautas morais e suspeitas de corrupção Por Adrian Albuquerque (texto), Guilherme Correia (texto) e Norberto Liberator (arte) Após ter crescimento expressivo nas intenções de votos ao ser mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), durante debate eleitoral, o candidato ao governo de Mato Grosso do Sul Capitão Contar (PRTB) – que se posicionava entre os últimos nas pesquisas – ficou em primeiro na disputa, com 27% dos votos válidos, seguido por Eduardo Riedel (PSDB), com 24%. Ainda que ambos tenham declarado apoio a Bolsonaro – Riedel, inclusive, é aliado da senadora eleita Tereza Cristina (PP) –, o militar aposentado do Exército, de 38 anos, possui algumas das mesmas posições extremistas e ultraconservadoras de Bolsonaro e práticas que envolvem suspeitas de corrupção. Em seu plano de governo, ele tenta esconder questões que defende como parlamentar, como a proibição nas escolas de danças que, segundo ele, podem promover a sexualização precoce de crianças. Além disso, Contar já defendeu publicamente o uso da hidroxicloroquina durante a pandemia de Covid-19 e é autor do projeto de lei que proíbe a exigência de comprovante de vacinação em escolas. O militar também é autor do projeto que proíbe o transporte alternativo no estado e em 2019 prometeu “tirar da geladeira” o projeto da Escola Sem Partido, que visa censurar professores dentro da sala de aula. Senhor das armas Contar é defensor ferrenho da flexibilização de CACs (Certificados de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) – medida que facilitou a aquisição legal de armas pelo crime organizado e aumentou em 24% o número de assassinatos por armas de fogo de mão.         Ver essa foto no Instagram              Uma publicação compartilhada por clube de caça golden boar (@clubedecacagoldenboar) Alvo da Operação Ópla, desencadeada no dia 14 deste mês pela Polícia Federal, o clube de tiro Golden Boar, localizado em Maracaju, é suspeito de fornecer armas para o crime organizado. O estabelecimento segue funcionando normalmente e não só para os alunos armamentistas, obviamente inclinados a apoiar Bolsonaro, mas também pela eleição de Contar, conforme publicação feita na página do estabelecimento.        Ver essa foto no Instagram              Uma publicação compartilhada por clube de caça golden boar (@clubedecacagoldenboar) O deputado e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro em jantar com Rodrigo Donovan (proprietário do clube) e Marcos Pollon, recém-eleito deputado federal pelo PL   Vice problemático Humberto Figueiró (PRTB) é o vice da chapa de Contar e o maior doador para a campanha (R$160 mil). Por dever mais de R$ 45 mil em pensão alimentícia, ele chegou a ser preso em 2008 em Terenos, município a 31 quilômetros da capital. O mandado foi expedido pela Justiça de Presidente Prudente (SP), onde tramitou o processo de execução de alimentos. O candidato entrou na delegacia de Polícia Civil de Terenos às 14h51 e foi solto à meia-noite do dia seguinte, primeiro de abril de 2008, após pagamento do valor. Figueiró também foi acusado de golpe em briga por fortuna de família, que o acusa de burlar a partilha de bens e nunca ter dado nenhum centavo a familiares, após a morte do pai. “Toma lá dá cá”  Em vídeo de campanha política, Contar afirmou não fazer parte de “toma lá dá cá” político. Entretanto, recebeu apoios de figuras carimbadas na política sul-mato-grossense. O ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD), acusado de assediar mais de 10 mulheres no gabinete e o ex-governador André Puccinelli (MDB), preso duas vezes por corrupção, são algumas das figuras que se mostram alinhadas a Contar, bem como o pastor e ex-prefeito Gilmar Olarte, preso por corrupção e lavagem de dinheiro. O próprio ex-capitão afirmou em entrevista à afiliada da Rede Globo, TV Morena, que “quando essas lideranças liberaram suas bases para nos apoiar em votos, isso é muito bem-vindo”. Olarte, preso desde maio de 2021, afirmou apoiar Contar e disse que a esposa do candidato, Iara Diniz Contar (PRTB), foi “braço direito” durante a gestão municipal em Campo Grande. Contratos milionários A publicitária e empresária, aliás, tentou receber R$ 1,2 milhão usando documento falso na falso na Justiça para tentar se apropriar de empresa. Em ação de 2019, a Ricon Comércio de Produtos em Geral cobrou montante judicialmente através de Termo de Confissão de Dívida. Mas em sentença deste ano, ele foi considerado simulado. O TCE (Tribunal de Contas do Estado) fez inspeção presencial na prefeitura de Ribas do Rio Pardo em busca de documentos de contrato  milionário entre a administração municipal e a empresa Diniz Ação em Marketing Ltda, que tem como sócia-administradora Iara Diniz Contar, esposa do Capitão Renan Contar (PRTB), candidato ao governo de Mato Grosso do Sul. A ordem para o trabalho in loco foi do conselheiro Jerson Domingos e publicada em 20 de maio. O contrato 131/2015 é de prestação de serviços nos setores de publicidade, marketing e propaganda. Segundo o TCE, a inspeção já foi realizada na prefeitura de Ribas do Rio Pardo. Entretanto, o relatório ainda não foi apresentado pela Divisão de Fiscalização. O valor inicial do contrato de publicidade era de R$ 600 mil. Contudo, ao longo dos anos, a prefeitura fez oito termos aditivos. Conforme planilha elaborada pelo tribunal, o total final contratual chegou a R$ 2.580.708,33, no período entre 10 de novembro de 2015 e 10 de novembro de 2020. Patrimônio Na comparação com a receita declarada em 2018 à Justiça Eleitoral, Contar ficou 628% mais rico em quatro anos. Há quatro anos, quando foi eleito deputado estadual, o capitão aposentado declarou R$ 80 mil de patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já neste ano, declarou R$ 583 mil de bens. Entre os bens listados este ano, encontram-se três veículos, duas contas poupança que somam R$ 91 mil e outros créditos no valor de R$ 96 mil. Em 2018, Contar era dono apenas de uma motocicleta no valor de R$ 80 mil. Apoio endinheirado Apesar de defender uma imagem de “campanha pequena” que remeteria a uma luta entre Davi e Golias, Contar usufruiu do