Jean destaca importância de ações esportivas da comunidade LGBTQIA+

Fim de semana teve Amistoso da Diversidade e Gaymada Por Norberto Liberator (com assessoria)Foto: Lucas Balds O vereador Jean Ferreira (PT) declarou, nesta segunda-feira (8 de setembro), que eventos esportivos são iniciativas de extrema importância para a comunidade LGBTQIA+ em Campo Grande. No último sábado (6) ocorreu a Gaymada da Diversidade e o amistoso entre times de futsal formados por homens trans e transmasculinos.  A partida de futsal teve iniciativa do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat). Já a Gaymada foi organizada pelo mandato da deputada federal Camila Jara (PT). Ambos contaram com o apoio de entidades, como a Defensoria Pública da União (DPU), a Superintendência do Patrimônio da União (SPU), a Associação de Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS), o setorial LGBT do Partido dos Trabalhadores, o coletivo TransPor, a Coletiva De Trans Para Frente, a ONG Elas Podem, o Instituto Jordão Santana, o Ponto Bar e o Pagode na Pele. Jean apoiou os eventos com destinação de recursos e divulgação. Futsal transmasculino No Amistoso da Diversidade, a equipe paulistana Spartanos venceu a campo-grandense Araras Trans por 4×1 no ginásio Moreninho. Mesmo sem a vitória do time local, o vereador ressalta que o mais importante foi a iniciativa do evento. “O resultado do jogo não é tanto o foco. O que foi feito é histórico. Uma partida inédita entre times formados por pessoas transmasculinas, um recado de que o futebol também é um espaço a ser ocupado”, afirma Jean. O vereador não deixa de destacar o gol do atleta Theo Toledo, que marcou o único do Araras Trans. “Mesmo com o Spartanos sendo uma equipe mais consolidada, que tem rodado o Brasil com frequência, ainda tivemos um golaço do nosso craque, o que já mostra a força do nosso time local”, pontua Jean. “Nossos meninos foram muito bem. É só o início de uma trajetória vitoriosa para esse time que traz tanta representatividade”, finaliza. Na mesma linha, o capitão do Araras Trans, e conselheiro do Ibrat-MS, Luan Silva, reforça a importância do evento para a comunidade. “A realização desse amistoso, específico para homens trans e transmasculinos, é algo que vai um pouco além do esporte. É criar um espaço mesmo, que a gente se encontra, um espaço de visibilidade”, afirma. “Muitos de nós, antes da transição, jogamos em times profissionais, de quadra, de campo, e a gente teve que parar com essa profissão, tivemos que parar de jogar por fazer a transição”, destaca Luan. Foto: Lucas Balds/Assessoria Jean Ferreira “Quando a gente opta por essa transição,  o espaço do futebol feminino já não nos cabe mais, porque não é mais àquele espaço que a gente pertence”, pontua o capitão do time. “É o futebol masculino o espaço ao qual a gente pertence, mas que não nos aceita enquanto pessoas trans. Então ele quebra esse estigma. É sobre resistência, sobre visibilidade, sobre pertencer a esse espaço. Esse amistoso foi mais do que uma competição, foi uma celebração da nossa existência, do apoio uns com os outros, construir referências positivas para que as próximas gerações consigam também ocupar esse espaço”. Jogando queimada pela diversidade Já na Gaymada, realizada na Orla Morena, o mandato do vereador não apenas contribuiu com recursos e prestigiou o evento, como também participou. O Time Jean ficou em terceiro lugar. A competição foi vencida pela equipe Power, tendo o time Coronel & Seus Soldados na segunda colocação. “A competição já virou tradição em Campo Grande”, afirma Jean sobre a Gaymada, que chegou à sua quarta edição. “Na primeira edição, em 2022, participei como competidor e ficamos em segundo lugar com a equipe Bad Girls”, pontua o vereador. Naquele ano, a Gaymada foi conquistada pelo time As Usurpadoras. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Travestis em cena: ColetivA de Trans para Frente leva corpos dissidentes ao palco e às ruas em Campo Grande

Grupo tem se apresentado pela cidade com equipe formada por travestis e pessoas trans Por Vitória Regina Correia Foto: Ana Laura Menegat A arte travesti ocupa, provoca e transforma. É com esse gesto político e estético que nasceu, em Campo Grande, a ColetivA De Trans pra Frente, primeira companhia do Mato Grosso do Sul formada exclusivamente por pessoas trans e travestis. Criada pela multiartista, professora e diretora Emy Santos, o grupo vem consolidando um espaço inédito de criação e de protagonismo para corpos historicamente marginalizados. Em 2024, a coletiva estreou seu primeiro espetáculo, O Culto das Travestis. A montagem voltou aos palcos em agosto de 2025, no Sesc Teatro Prosa, agora com um novo elenco. No próximo domingo (7), as artistas também sobem ao palco em participação especial no show da cantora Liniker, em Campo Grande — mais um marco de visibilidade para o grupo. O trabalho da ColetivA De Trans pra Frente mistura dança, teatro e performance para refletir sobre os espaços que pessoas trans e travestis ocupam — ou dos quais são sistematicamente excluídas. Para a fundadora e diretora do grupo, a multiartista e professora Emy Santos, a criação surge de uma urgência social e política. “A ColetivA De Trans pra Frente nasce da necessidade de unir artistas trans e travestis no Mato Grosso do Sul, levando propostas artísticas, culturais e pedagógicas que envolvem protagonismo. Desenvolvemos ações, encontros, oficinas, espetáculos e eventos, sempre com a intenção de levantar questões ligadas a gênero, sexualidade, raça e contexto social”, afirma. O principal trabalho da coletiva é O Culto das Travestis, que Emy define como mais que espetáculo: um rito de acolhimento e resistência. Criado a partir de pesquisas individuais e encontros coletivos, o projeto transforma vivências em arte e propõe novas formas de espiritualidade e sacralidade travesti. “Essa obra é um espaço de cuidado e escuta, porque justamente nos é negado esse espaço. Quando nos encontramos, conseguimos nos olhar, curar feridas e fortalecer nossos trabalhos. É uma resposta à violência e ao conservadorismo que tentam nos silenciar. Criamos arte para criar vida”, explica. Segundo a diretora, a montagem rompe com imaginários que reduzem travestis à marginalidade. Ao incorporar referências religiosas e espirituais em sua estética, a peça afirma que identidades travestis também podem ser sagradas, profanas e livres. O alcance do trabalho já ultrapassa as fronteiras nacionais. Com O Culto das Travestis, Emy Santos participou do Festival OFF Avignon, na França, levando ao cenário internacional a discussão sobre a arte trans contemporânea produzida em Mato Grosso do Sul. “O próprio nome do espetáculo é ousado e forte. Somos artistas que resistem, que transformam, e o nosso trabalho mistura performance, ativismo e cultura. Também criamos rodas de conversa e oficinas, espaços de cuidado para corpos historicamente marginalizados”, afirma. A recepção do público tem sido intensa. Na reestreia realizada no Sesc Teatro Prosa, em Campo Grande, uma procissão pelas ruas abriu a apresentação, seguida pela partilha de chá com a plateia antes da entrada no teatro. “As pessoas cantaram conosco, tomaram chá e entraram no espaço de outra forma. Muitos se emocionaram, choraram. Foi muito especial ver pessoas idosas presentes. Isso mostra que conseguimos furar a bolha”, relembra Emy. Mais que um grupo artístico, a ColetivA De Trans pra Frente se coloca como um ato de resistência. Entre palco e rua, suas ações reafirmam a presença e a potência de pessoas trans e travestis, não apenas em Campo Grande, mas em diferentes partes do mundo.   Instagram Twitter Youtube Tiktok

Jean participa de mutirão de limpeza em futura Casa de Acolhimento LGBT

Vereador, superintendente e deputada se unem ao movimento LGBT para mobilizar ação de pressão e tirar projeto do papel Norberto Liberator (com assessoria) Foto: Maria Laura Corrêa O vereador Jean Ferreira (PT) ajudou a organizar, neste domingo (17), um mutirão de limpeza no imóvel onde deve ser construída a primeira Casa de Acolhimento LGBTQIAPN+ de Mato Grosso do Sul, localizada na região central de Campo Grande. A ação contou com a deputada federal Camila Jara (PT), o superintendente estadual do Patrimônio da União, Tiago Botelho, a Defensoria Pública da União e a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, além de apoiadores e figuras do movimento social da cidade. A ação teve como objetivo chamar atenção para a viabilização da Casa, que já conta com a cessão do imóvel e destinação de emendas. No entanto, a execução ainda depende do governo estadual. O projeto foi inicialmente alocado na Secretaria Estadual de Cidadania (SEC) e vinculado à Subsecretaria LGBT, no entanto, teve o cronograma para sua implementação adiado e projeto inicial descaracterizado. A casa de acolhimento pretende ser um espaço seguro para a população LGBT em Campo Grande, oferecendo atendimento psicológico, assistência jurídica, serviços de saúde mental, alimentação e alojamento temporário. Estudos realizados por pesquisadores do curso de Arquitetura da UFMS confirmam que a localização do imóvel é adequada e segura para essa parcela da população. “Nós vimos a agressão que aconteceu na semana passada. Se já houvesse a Casa de Acolhimento, pelo menos eles [as vítimas] poderiam vir para cá, ou nem teria ocorrido, já que saberiam que aqui existe a Casa com a segurança feita pela Guarda Municipal”, afirmou o vereador Jean, referindo-se ao ato de violência ocorrido anteriormente contra dois jovens homossexuais, em frente à Esplanada Ferroviária. A proposta da Casa de Acolhimento surgiu por volta de 2008, mas só ganhou impulso em 2023, com a articulação de parlamentares, membros do governo federal e movimentos sociais junto à gestão do governador Eduardo Riedel (PSDB). Em 2023, a deputada federal Camila Jara destinou uma emenda parlamentar para viabilizar os recursos financeiros da construção da obra. Já em 2024, Tiago Botelho, superintendente do Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul, garantiu a cessão do imóvel por meio do governo federal. Com a eleição de Jean Ferreira para a Câmara Municipal de Campo Grande, o projeto ganhou ainda mais força. Primeiro ativista LGBT+ a ser eleito vereador na capital, Jean tem sido um mobilizador importante desde a campanha eleitoral. Jean tem mobilizado lideranças da comunidade para pressionar a viabilização do projeto, além de articular reuniões e manter conversas para que a pauta seja priorizada. Instagram Twitter Youtube Tiktok

“Aqui não é lugar de viado”: violência expõe permanência de um Brasil estruturalmente LGBTfóbico

Jovem foi agredido no Centro de Campo Grande Vitória Regina Correia No último fim de semana, um estudante de 23 anos foi alvo de uma agressão violenta por um grupo de aproximadamente dez homens, nas proximidades da Feira Central, em Campo Grande/MS. O ataque, ocorrido em frente ao Armazém Cultural, é mais uma expressão das normas sociais q que buscam controlar como as pessoas devem se relacionar e se identificar quando o assunto é gênero e sexualidade. Segundo a vítima, as agressões tiveram motivação homofóbica, imediatamente após ele beijar outro rapaz — um gesto que subverte as expectativas normativas do espaço público. Uma das vítimas relatou que sobreviveu ao ataque apenas porque usava capacete. Esse ato de violência, marcado por ódio explícito, não é um episódio isolado. É a expressão de uma homofobia estrutural que atravessa as relações sociais brasileiras e que, historicamente, é reforçada por discursos e práticas que relegam pessoas LGBTQAPN+ a espaços de marginalidade e exclusão. O Brasil permanece, há mais de uma década, entre os países que mais matam a população LGBTQAPN+. Em 2024, foram registradas 291 mortes violentas motivadas por LGBTfobia, um aumento superior a 8% em relação a 2023, segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia, a mais antiga organização LGBTQ+ da América Latina. Campo Grande figura como a 5ª capital mais perigosa para essa população, atrás apenas de Cuiabá, Palmas, Teresina e Salvador. Essa posição revela como a violência contra LGBTQAPN+ não está restrita a grandes centros ou a regiões específicas, mas é parte de um padrão nacional, marcado por desigualdades regionais, impunidade e um cenário político que, em muitos momentos, legitima a intolerância. A declaração dos agressores de que “aqui não é lugar de viado” não é apenas justificativa verbal de um ato de violência, mas a enunciação performativa de uma norma que demarca quais vidas podem habitar o espaço público — e quais devem ser expulsas dele. Trata-se da atualização de uma política não codificada juridicamente, mas sedimentada nas práticas sociais, que reafirma a precariedade de corpos e práticas considerados dissidentes e nega a eles o direito de existir sem medo. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Para Jean, premiação LGBT é início de uma série de conquistas

Casa de Acolhimento e Conselho LGBT são próximos passos para efetivação de políticas públicas de diversidade Norberto Liberator (com assessoria) O vereador Jean Ferreira (PT) tem realizado uma série de iniciativas que visam dar visibilidade e garantir os direitos das pessoas LGBTQIAPN+. Entre elas, está a medalha Alanys Matheusa, primeira premiação do poder público voltada à comunidade em Mato Grosso do Sul. A medalha foi criada em homenagem à primeira advogada trans negra do estado, falecida em 2020, e se tornou lei após a aprovação do projeto de autoria do petista. Para Jean, o reconhecimento é apenas o início de um novo ciclo de defesa da dignidade de uma parcela da população. “A medalha é importante para mostrar o papel que essas pessoas desempenham na sociedade, tirá-las da invisibilidade e reconhecer sua contribuição, mas para além dela, também defendemos políticas públicas”, destaca o vereador. Atualmente, Jean tem se esforçado para que a primeira Casa de Acolhimento de Mato Grosso do Sul saia do papel. O projeto tem como objetivo a criação de um espaço para pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade, sobretudo as que foram expulsas de suas casas devido à orientação sexual ou identidade de gênero. O vereador tem articulado, junto à deputada federal Camila Jara (PT), a viabilidade de recursos para que o poder público inaugure o espaço. O vereador também tem defendido a criação do Conselho Municipal LGBTQIAPN+, um órgão para tratar de políticas públicas voltadas à comunidade e fiscalizar sua execução. “Campo Grande tem índices muito altos de violência contra a comunidade, tanto física quanto psicológica, o que torna imprescindível a criação de um Conselho que vai fiscalizar, propor e encaminhar demandas”, afirma Jean. Premiação inédita A Medalha Alanys Matheusa foi entregue em sessão solene realizada na Câmara Municipal na última sexta-feira (27), um dia antes do Dia Internacional do Orgulho LGBT+. É a primeira vez que uma entidade do poder público em Mato Grosso do Sul – no caso, a Câmara Municipal – realiza uma premiação para homenagear a diversidade sexual e de gênero. Foram ao todo 58 indicações, sendo que cada um dos 29 vereadores tinha direito a homenagear duas pessoas. Com a abstenção de parte da Câmara, foi possível que os vereadores indicassem individualmente um número maior do que as duas homenagens iniciais. A mesa foi presidida por Jean Ferreira e teve como secretário o vereador Beto Avelar (PP). Além de Jean e Avelar, os vereadores que indicaram personalidades a serem homenageadas foram Carlão (PSB), Dr. Victor Rocha (PSDB), Flávio Cabo Almi (PSDB), Júnior Coringa (MDB), Landmark Rios (PT), Luiza Ribeiro (PT), Maicon Nogueira (PP), Marquinhos Trad (PDT), Professor Juari (PSDB), Professor Riverton (PP), Ronilço Guerreiro (Podemos) e o presidente Papy (PSDB). Instagram Twitter Youtube Tiktok