Degrau Estúdio recebe espetáculo “Devaneio”

Evento fecha ciclo de apresentações de Jorge Aluvaiá & O Capuz Negro em parceria com o artista visual Jackson Rocha Norberto Liberator Neste sábado, 19 de julho, o Degrau Estúdio recebe a sétima apresentação do circuito de show e mostra de artes visuais de Jorge Aluvaiá & O Capuz Negro, em parceria com o pintor e muralista Jackson Rocha. O espetáculo tem início às 21h e fechará com o som da banda de synth punk Manicômio. Jorge Aluvaiá & O Capuz Negro têm se apresentado por Campo Grande com uma proposta que une rock psicodélico, experimentalismos e influências de diferentes vertentes musicais africanas. Já a proposta da Manicômio traz distorções, graves sintetizados e letras que refletem a vivência urbana de Campo Grande, num show enérgico e 100% autoral. O espetáculo conta com a exposição das obras de Jackson Rocha durante todas as apresentações. O Degrau Estúdio se encontra na Rua Joaquim Murtinho 2204, no bairro Bela Vista, com estacionamento amplo e acessível, além de bar no local. Os ingressos estarão disponíveis no local pelo valor de R$20. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Dia Estadual do Reggae: Lei da deputada Gleice é reconhecimento à força da cultura

Da redação Foto: Aline Teodoro  Durante a sessão desta terça-feira (1º de junho), a deputada estadual Gleice Jane (PT), aproveitou para destacar a importância do reggae como agente transformador, que promove a cultura, a educação, a união, a empatia, a consciência social e a tolerância entre os povos.  A parlamentar é autora do projeto que institui o Dia da Cultura Reggae em MS, desde o ano passado. A data presta homenagem ao músico Lincoln Gouveia e coincide com o Dia Internacional do Reggae. Ex-vocalista da banda Canaroots e ícone do reggae, ele faleceu em junho de 2021, em Campo Grande. Gleice Jane ainda reforçou que a homenagem é um dos meios para colocar a pauta em evidência. “Filho da servidora Ana Amélia, Lincoln Gouveia era um jovem sonhador e tinha como objetivo mudar as estruturas da sociedade, por meio da música. Com seu violão, levou multidões de pessoas à cantar e dançar reggae”, pontuou.  Proposta Na data celebrativa, poderão ser realizados eventos, festivais, oficinas, palestras e outras atividades de valorização do reggae. A criação do Dia Estadual do Reggae reconhece a contribuição significativa desse gênero musical para a identidade cultural e social dessa comunidade em todo o MS. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Jean Ferreira denuncia perda de verba para cultura em Campo Grande

Falta de comprovação de uso de recursos pode impedir recebimento de nova parcela, apontou o líder do PT na Câmara Municipal Norberto Liberator (com informações da Assessoria)Foto: Danilo Gonçalves O vereador Jean Ferreira (PT) fez um pronunciamento, durante a sessão ordinária da última terça-feira (24), na qual denunciou a falta de compromisso com o setor cultural por parte da gestão de Adriane Lopes (PP). O parlamentar alertou para o risco iminente de perda de mais de R$ 5,5 milhões em recursos federais destinados à cultura, provenientes da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O líder da bancada petista destacou que Campo Grande recebeu 5 milhões e meio de reais no primeiro ciclo da PNAB (2023/24), mas, até o momento, nenhum centavo foi executado pela prefeitura. Para garantir a próxima parcela do segundo ciclo, a administração municipal precisa comprovar, até 30 de junho, a execução de pelo menos 60% desse montante. Com a aferição do Ministério da Cultura marcada para iniciar em 1º de julho, o vereador expressou preocupação com a possibilidade de devolução dos recursos. “Quando o Ministério fizer a aferição, vai perceber que nada foi executado. Isso é extremamente preocupante”, afirmou. Jean destacou que a PNAB, instituída pelo Governo Federal, destina anualmente 3 bilhões de reais a estados e municípios para fomentar projetos culturais, gerando emprego, renda e movimentação econômica. No entanto, a inércia da gestão municipal compromete o setor cultural de Campo Grande. “Mais de 5 milhões de reais foram perdidos, e a cultura sofre com o descaso, mesmo tendo à disposição políticas sérias”, lamentou o parlamentar. O vereador também cobrou agilidade na execução de um edital cultural atualmente aberto, para evitar nova perda de recursos já disponíveis na conta da prefeitura. “Precisamos garantir que, nos próximos ciclos, o município execute ao menos o mínimo exigido”, reforçou. A denúncia teve origem em uma Reunião Pública realizada por Jean na segunda-feira (23), que discutiu a aplicação de recursos para a cultura em Campo Grande. O evento reuniu representantes do setor cultural e expôs a gravidade da situação. O vereador reiterou a importância de políticas culturais bem executadas, que, segundo ele, “abrem novas perspectivas” para artistas e trabalhadores do segmento. Atrasos no FMIC e cobrança à Secretaria de Finanças Além da questão da PNAB, o vereador denunciou o descumprimento de um acordo firmado com o setor cultural para o pagamento de parcelas atrasadas do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FMIC). Jean apontou que a Secretaria de Finanças, sob comando de Márcia Hokama, acumula três parcelas atrasadas, com a quarta prestes a vencer. “Foi feito um acordo para pagar o FMIC em oito parcelas, mas a prefeitura não está honrando o compromisso”, criticou. O parlamentar anunciou que protocolará um requerimento, exigindo explicações sobre a não destinação dos recursos e o descumprimento do acordo. “É mais um descaso da prefeita Adriane Lopes, não só com o setor cultural, mas com toda a cidade”, concluiu. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Adufms organiza Feira Cultural neste sábado

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Adufms) realiza neste sábado (22), a partir das 08h30, a “2ª Feira Cultural da Adufms”. O evento acontece na sede da instituição, localizada na Av. Filinto Müller, 558, e tem como objetivo promover a troca de conhecimento, cultura e experiências acadêmicas. Aberta ao público e com entrada gratuita, a feira será um espaço de exposição de materiais, pesquisas e produtos desenvolvidos pela comunidade acadêmica, buscando valorizar o trabalho docente e artístico, além de incentivar o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Entre os destaques da programação estão exposições artísticas, apresentações musicais e iniciativas inovadoras. Confira os expositores e suas respectivas produções: Ana Paula Duarte Furtado – Exposição de telas, aquarelas e incensários artesanais. Andrea Lúcia Chaves – Produtos personalizados, como canecas, copos e camisetas, com temáticas ligadas à diversidade, feminismo e artes LGBTQIAP+. Armazém do Campo – Produtos da Reforma Agrária. Breu Coletivo – Produção independente de adesivos, cadernos, manuais, prints e marcadores de página, utilizando técnicas analógicas e digitais. Janete Maria de Oliveira – Bolsas cangas e “cangões”, produtos versáteis confeccionados em poliéster, viscose ou algodão, ideais para diversas ocasiões. Jorge Aluvaiá – Compositor e multi-instrumentista, com canções que abordam a conscientização ambiental, a realidade urbana sul-mato-grossense e reflexões sobre o autoconhecimento, unindo influências da psicodelia, do rock brasileiro e um piano fantasioso. Melissa Oliveira de Aguiar (Acadêmica UFMS) – Exposição de desenhos e pinturas baseadas em pesquisas acadêmicas sobre gênero e política no contexto sul-mato-grossense. Mirian Santos Costa – Artesanato em madeira e pinturas, explorando diferentes suportes e levando arte e magia a diversos contextos. Sergio Carvalho de Araújo – Apresentação de projeto de pesquisa e inovação em bioeconomia, destacando soluções sustentáveis a partir da sílica da casca de arroz. “Sol”, artista urbana e Companhia – Atua na elaboração de letras e personas inspiradas em seu cotidiano. Durante a feira, produzirá um mural em homenagem aos artistas de rua e professores, utilizando a técnica do grafite. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Cultura da música cover e a nostalgia

Tradição de reprodução de canções consagradas no passado em detrimento da música autoral é sintoma de ideologia reacionária Por Jorge Aluvaiá Todos têm o direito à cultura, arte e lazer – e também têm o direito de criar e promovê-los. No entanto, também é direito do público e de agentes culturais questionar o que se produz. Assim, meu questionamento começa do seguinte ponto: O que é gerado quando tanto os agentes das artes quanto seu público estão presos a uma forte nostalgia, conectados com passado – mesmo que, às vezes, um passado recente – artisticamente idealizado? Primeiramente, precisamos reconhecer que qualquer produção artística tem sim seu valor e pode ser fonte de renda dos trabalhadores e trabalhadoras que as produzem. Quero neste momento abordar as intersecções existentes nesse movimento, sejam essas intersecções geradas de forma proposital, acidental ou estrutural, com um recorte de na nossa realidade artística brasileira. É evidente, para o leitor ou a leitora, que nosso país passou e vem passando por um processo de terra arrasada, decorrente das articulações de golpe que culminaram na destituição da então presidenta Dilma Rousseff, em 2016, até a eleição de Jair Messias Bolsonaro, em 2018, e seu posterior governo. O reacionarismo usado como ferramenta de controle de massas deixou, na boca do povo brasileiro, um sabor agridoce, reforçando uma nota de saudosismo por um passado que sempre nos foi vendido como um lugar melhor. De fato esse saudosismo não é fruto do dos governos Temer e Bolsonaro, mas foi neles que esse traço se acentuou. Não à toa o carro chefe desse movimento é a música sertaneja, assim como no governo Collor de Mello. O sertanejo, além de ser trilha sonora do agronegócio predador, também tem uma enorme importância na formação da cultura brasileira e isso é indiscutível. Mas uma das facetas que sempre foram presentes no sertanejo é a saudade de uma vida bucólica, de uma vida campestre, simples e pacífica, e vivendo no Mato Grosso do Sul, sabemos que isso é uma falácia. Nossa história está repleta de casos de violência contra todos que se opuseram aos senhores do campo, os autointitulados donos de terras, ou seja, um passado idealizado, vendido. Também vale lembrar que os ponteados, pagodes de viola, rasqueados e lamentos, eram majoritariamente tocados e cantados pelos trabalhadores da terra, que cantavam as agruras de uma vida simples, porém dura. Outro exemplo é o sertanejo nordestino, quando canta saudades da sua terra por ter precisado se retirar, para tentar a vida na cidade grande ou nas fazendas do interior de São Paulo. Percebam como não é à toa o sertanejo ser carro-chefe de um movimento cultural que visa retroceder para um lugar que nunca existiu. Mas o que fazer música cover tem a ver com tudo isso? Caso o leitor queira fazer o teste, vá a uma apresentação sertaneja, e pode ser mais da simples à mais pomposa; os shows desses artistas estão repletos de canções que não são de sua autoria. Não estou tratando dos cantores que são intérpretes de outros compositores, pois essa é uma outra discussão sobre indústria do entretenimento. A referência é à cultura do cover, que mostra seu lado mais feio em outros gêneros musicais em círculos menores. Artistas independentes de música pop, pop/rock, rock, forró, MPB etc. Aqui entra um fator onde artistas têm que dar o braço a torcer, caso queiram continuar trabalhando: o fator donos de casas de show. Nesse âmbito, entendemos que os proprietários e proprietárias desses estabelecimentos, além de ter compromisso com o lucro, raramente são artistas e têm pouco conhecimento do mercado artístico, porém são ótimos comerciantes de bebidas alcoólicas. Façamos um exercício para entender as características supracitadas. Compromisso com o Lucro. Espero que não seja uma surpresa, para o leitor ou a leitora, que um empresário visa primeiramente a manutenção e a rentabilidade dos seus negócios – e não há nada de errado com isso. Sabendo que a casa deve estar cheia para se obter lucros, adivinhem só quem atrai esse público? Sim, artistas. Esses artistas têm como trabalho proporcionar um bom espetáculo para público, afinal, quanto mais tempo eles passarem dentro das casas de show e bares, mais as pessoas irão consumir. E os donos da casa querem ter certeza de que isso irá acontecer. Sendo assim, eles passam a fazer parte da escolha de repertório do artista. No processo de contratação, é comum o gerente da casa, quando não o proprietário, aprovar o repertório pré-selecionado do artista, para garantir que ele ou ela toque apenas sucessos das últimas décadas ou de um passado recente. Para além disso, deixa-se bem claro que músicas autorais são potencialmente problemáticas, pois estamos tratando de círculos menores da indústria, e tais artistas talvez nunca tenham algum trabalho com alcance o suficiente para ter autonomia em escolher seu próprio repertório. A consequência disso é um show majoritariamente composto por sucessos de outros artistas, deixando para o público a errônea impressão de não se fazer mais músicas boas como antigamente, que o rock de verdade morreu nos anos 90, essas besteiras que se dizem por aí. Mas o pior desdobramento disso tudo acontece quando o artista vê que o público tem uma enorme rejeição ao que é novo, matando assim uma cadeia inteira de processos criativos e produção de novas obras, tudo isso em nome do deus lucro. Raramente são artistas. Este é o ponto mais delicado, pois é aqui que os gostos e preferências musicais dos donos desses espaços se misturam com seu tino empresarial. Este que vos escreve já teve a oportunidade de frequentar, tocar e até trabalhar como funcionário  em algumas casas de show. E uma coisa é fato: quanto maior e mais profunda tiver sido a vivência artística pregressa dessa pessoa, mais bem definida será a temática do estabelecimento e mais liberdade artística os artífices que prestam serviço à casa terão. No meu ponto de vista, existe uma vontade, nesse tipo de proprietário, de fazer da sua casa um espaço legítimo de produção de arte,