Badaró – Outono 2020

  Sergio Moro não é o bastião da democracia, nem da justiça – Revista Badaró O povo é quem mais ordena – Revista Badaró Lula Livre: o thriller político mais famoso do Brasil Lídia Baís: 120 anos de rebeldia e pionerismo – Revista Badaró https://www.revistabadaro.com.br/2020/04/20/alanys-matheusa-presente/ Vida e morte do Cacique Marçal Guarani – Revista Badaró Coronavírus em Campo Grande: o que se diz sobre vs. o que tem acontecido Seis minas que fazem jornalismo em quadrinhos no Brasil – Revista Badaró Recruta 7 [Badrops #10] – Revista Badaró EAD gera debates entre estudantes na UFMS – Revista Badaró Golpe televisionado – Revista Badaró Líbero Badaró: patrono do jornalismo brasileiro Kurt Cobain era um socialista? – Revista Badaró Desespero na pandemia [Badrops #9] – Revista Badaró Da Central do Brasil aos porões do Dops – Revista Badaró “Explode a força do funk, DJ!” – Revista Badaró O jornalismo em quadrinhos de Robson Vilalba – Revista Badaró Domingos Oliveira em baixo orçamento e alto astral – Revista Badaró Filhas do Campo – Revista Badaró A Escola de Zagorsk e o caráter emancipador da psicologia – Revista Badaró https://www.revistabadaro.com.br/2020/05/22/futebol-politica-ditaduras E aos que atrapalham os trens – Revista Badaró O repórter-quadrinista que veio da quebrada – Revista Badaró Perigos da violência obstétrica aumentam na pandemia – Revista Badaró Graciliano Ramos vai ao cinema – Revista Badaró Uma viagem pela Cannabis – Revista Badaró Há receptores de maconha dentro de você – Revista Badaró https://www.revistabadaro.com.br/2020/05/08/como-a-pandemia-afeta-uma-aldeia-indigena Bolsonaro e a imprensa [Badrops #11] – Revista Badaró Nelson Pereira dos Santos e o cinema enquanto roda de samba – Revista Badaró Por dentro da revolta de entregadores contra a exploração dos apps – Revista Badaró Crônica de um jogo não visto – Revista Badaró Fantasma do neonazismo ronda o black metal há três décadas – Revista Badaró Arqueologia das ciências humanas: o objeto das ciências humanas – Revista Badaró Entre mitos, arte e revoluções – Revista Badaró A crise econômica produziu um trilionário – Revista Badaró As ciências humanas em questão – Revista Badaró A bandeira de Bandera: Ucrânia e neofascismo – Revista Badaró Contrastes urbanos no cinema de Neville D’Almeida – Revista Badaró #ExposedCG: relatos de assédio estimulam debate na internet – Revista Badaró Protestos em cenário mundial ecoam em Campo Grande – Revista Badaró O que o Vietnã tem a nos ensinar sobre pandemias? – Revista Badaró Tensionamentos crescentes [Badrops #12] – Revista Badaró Instagram Twitter Youtube Tiktok

Sábado de atos contra o responsável por meio milhão de mortes

Manifestantes pedem vacina no braço e comida no prato em atos que aconteceram em centenas de cidades brasileiras Por Norberto Liberator e Guilherme Correia Ao menos quatro cidades, incluindo a capital, tiveram manifestações contra Bolsonaro em Mato Grosso do Sul (Foto: Norberto Liberator) Atos contra o governo federal e em favor de medidas sanitárias ocorreram em todo o país neste sábado (19). Em Campo Grande (MS), centenas de manifestantes percorreram as principais vias da região central da cidade, com concentração inicial às 9h na Praça do Rádio Clube. Trabalhadores e estudantes caminharam pela avenida Afonso Pena pedindo mais vacinas contra a Covid-19 e o impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido). A centralização do movimento foi feita pelo fórum Campanha Nacional Fora Bolsonaro, que confirmou, até ontem (18), atos em mais de 400 cidades de todos os estados brasileiros, incluindo as 27 capitais. Em outros países, também houve concentrações em pelo menos 41 cidades, nos Estados Unidos, Portugal, Alemanha, França, Finlândia, Argentina, Itália e Canadá. As manifestações ocorrem no momento em que o país ultrapassa 500 mil mortos pelo coronavírus três semanas após os atos de 29 de maio, que atraíram milhares de brasileiros, inclusive em alguns municípios sul-mato-grossenses. Em várias cidades, tais como Campo Grande, o evento deste final de semana mobilizou mais pessoas. Máscaras PFF2 e álcool em gel a 70% foram distribuídos pelos próprios organizadores, que orientaram os manifestantes a manterem o distanciamento. As medidas que reduzem a chance de infecção pelo vírus também são contrárias ao que é dito por Bolsonaro, que ironiza a proteção facial e aqueles que evitam sair de casa para diminuir a mobilidade urbana. Estiveram presentes militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), dentre outros. Parlamentares como a vereadora Camila Jara e os deputados estaduais Pedro Kemp e Amarildo Cruz, todos petistas, estiveram no ato, além do vereador Marcos Tabosa, do PDT. No início do evento, a Polícia Militar chegou até a mobilizar cavalarias, mesmo que o protesto tivesse caráter pacífico. Um dos sentidos da avenida Afonso Pena teve de ser interditado por equipes de trânsito. O professor e estudante Paulo Rosa, que esteve presente, afirma que “foi um ato bem-sucedido”. De acordo com ele, que também fez parte da organização do evento, “quem não estava usando máscaras recebeu, foi distribuído um grande número de PFF2”. Ele pontua que houve compreensão em relação ao fato de o protesto ser presencial. “Foi um ato muito grande, gostei muito de como as pessoas realmente entenderam o porquê de a gente estar fazendo isso, não teve grandes discussões por estar quebrando isolamento, entenderam a necessidade”. O professor Volmir Cardoso Pereira, vice-presidente da Associação de Docentes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Aduems), destaca que o governo já é responsável por meio milhão de mortes durante a pandemia. “Já são mais de 500 mil mortos e  em plena pandemia, Bolsonaro e a direita no Congresso assumem uma agenda de privatizações e desmonte do setor público”. Volmir acredita que é necessário haver manifestações diante do atual cenário. “Os milhares de participantes deram um recado importante hoje nas ruas de Campo Grande”, aponta. Anterior Próximo Fotos: Daniel Monteiro Pandemia  A defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), que ganhou corpo durante a pandemia, foi feita na manifestação. Atualmente, o sistema público encontra-se superlotado por pacientes em diversos lugares do país, sobretudo em Mato Grosso do Sul, por conta da alta de casos da doença, que tem feito vítimas cada vez mais jovens. Além disso, o sistema público tem aplicado gratuitamente a vacina contra a Covid-19 à população – o que é garantido por lei desde 1973, de acordo com o Plano Nacional de Imunizações (PNI). Vale ressaltar que o processo de imunização caminha a passos lentos, o que motiva uma série de críticas por parte dos manifestantes. A gestão Bolsonaro defende “tratamento precoce” da Covid, que já foi comprovado cientificamente não ter eficácia, em detrimento da adesão aos imunizantes, já que o líder se posicionou contrário à vacina sino-brasileira produzida pelo Instituto Butantan em diversos pronunciamentos e recusou 101 e-mails enviados pela farmacêutica estadunidense Pfizer. Anterior Próximo Fotos: Norberto Liberator

Situação de estudantes pretos(as) no ensino remoto

Em um país onde estruturas de classe e de raça hierarquizam direitos à permanência na universidade, a Badaró conversou com estudantes negros(as) para compreender dificuldades com Ensino à Distância (EaD) Por Vitória Regina  Ilustrações por Fabio Faria Colaborou Leopoldo Neto A pandemia causada pelo novo coronavírus modificou temporariamente o formato de ensino, aprendizagem e a dinâmica em sala de aula. Para evitar o agravamento dos índices de contágio, algumas Universidades optaram por suspender o calendário acadêmico. Todavia, essa escolha não foi regra e outras instituições deram continuidade ao calendário para que não houvesse um prejuízo de ensino (1). Quando o ensino remoto foi colocado como única opção viável às instituições, o questionamento que vigorava em alguns setores pode ser resumido na indagação feita por Oliveira et al. (2020, p. 66) sobre ”em que medida tais iniciativas incidem diretamente no acesso e permanência de estudantes socialmente vulneráveis?”. Entre as dificuldades enfrentadas por diferentes estudantes em relação ao acesso às tecnologias de informação, podemos citar a constatação de que em alguns casos (como os/as estudantes indígenas, quilombolas e do campo) sequer haveria possibilidade de acesso à energia elétrica em suas residências/localidades; muitos estudantes residem em lugares (por exemplo sítios e/ou municípios pequenos) em que não há disponibilidade de meios virtuais/eletrônicos/internet facilitados ou em número suficiente; dada a especificidade de cada curso, há casos em que existe o predomínio de atividades práticas e que não podem ser realizadas de formas virtuais; não habilitação ou dificuldade por parte de estudantes e professores/as na utilização de ferramentas digitais; muitos/as estudantes, por terem algum tipo de deficiência, não possuem, em sua residência, estrutura e apoio adequado para a realização de atividades online; a preocupação por parte de estudantes inseridos/as dentro do perfil de vulnerabilidade social e que demonstravam receio quanto à incerteza da manutenção de auxílios e benefícios (OLIVEIRA et al., p. 68, 2020). Diante das problemáticas supracitadas, as medidas adotadas – seja por universidade pública ou privada–  foram pensadas com e para uma classe específica. A partir do momento em que decisões tomadas a nível institucional ignoram grupos sociais historicamente excluídos, automaticamente afirmam que o espaço universitário é feito para uma classe e terão em suas fileiras somente uma cor. As universidades que mantiveram o calendário acadêmico como se nada estivesse acontecendo, deram um longo prazo para que os estudantes pudessem trancar disciplinas. Essa decisão, na prática, nada mais é do que a responsabilização e culpabilização do sujeito. Ou seja, se você não consegue se adaptar ao ‘’novo mundo’’ ou não tem a possibilidade de tentar se encaixar, você está fora. Quando o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que o Enem Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) não era aplicado para ‘’atender injustiças sociais, mas para selecionar os melhores’’ provou que a crise – e agora o desmonte e sucateamento das instituições federais–  da educação no Brasil é um projeto. O Estado brasileiro não tem a menor intencionalidade de reparar o grave histórico de desigualdade social no país. Esse cenário, como apontaram Nascimento e Santos (2020, p. 122), vai desde à falta de estrutura física nas residências, até às diferenças de acesso devido a marcadores como gênero e raça, dentre outros, infere-se que este instrumento com vistas à equidade de acesso ao ensino, não garante a equidade de aprendizado dos alunos, já que todos não compartilham das mesmas condições sócio-econômicas-culturais, algo que tornou-se uma normalidade excludente e macabra. As atividades passaram a acontecer de modo remoto – via internet – e todo mundo teve que se adaptar o mais rápido possível. As ferramentas de Educação à Distância (EaD) utilizadas nesse período concentram-se no Google Meet, Hangout, Classroom, Skype, Zoom, Moodle e, em alguns casos, Whatsapp. No entanto, o ensino remoto – ou uma vida gerida pela internet é impossível– para aproximadamente 46 milhões de brasileiros. De acordo com a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua, a ferramenta tecnológica mediadora entre a parcela da população brasileira que possui acesso à internet é principalmente o celular (99,2%), depois os microcomputadores (48,1%) e os tablets (13,4%). Ainda neste sentido, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicados em 2018, entre as chamadas camadas de renda ‘D’ e ‘E’, somente 9% possuem acesso à internet. Além disso, 55% da internet acessada por celular ocorre pelo modo pré-pago e 30% das residências no país não possuem qualquer conexão com a internet. A introdução dos computadores e da internet causa longos debates desde a década de 1980. Aos defensores desse ”novo mundo”, a utilização da internet abriria novas portas e serviria para desterritorializar a educação. Entretanto, ignoraram o fato de que para quem tem tempo e acesso ilimitado à internet, a territorialização nunca foi um problema tão grande assim. Claro, durante a pandemia foi possível, por exemplo, estar em Campo Grande (MS) e fazer um curso de formação sobre Saúde Mental e Racismo ministrado no Rio de Janeiro (2). Mas só foi possível pelo acesso e pela disponibilidade de tempo. O debate ao redor das tecnologias dentro da sala de aula, bem como do ensino à distância não deve ser realizado de modo acrítico. Ao fazer uma defesa de que só a internet será capaz de democratizar e ‘’emancipar’’ a educação e os sujeitos em processo de formação, ignorando a parcela de pessoas em território brasileiro que não possuem acesso à internet, significa corroborar que o acesso à educação de qualidade pertence somente a um grupo privilegiado da sociedade. Além da discussão a respeito do acesso à internet, devemos nos atentar para a existência – ou não – de um lugar adequado para estudos e os cuidados com a saúde mental de cada sujeito que está atravessando esse período, considerando que estamos vivendo a pior pandemia do último século. A pandemia e a necessidade de um isolamento social escancararam diversas desigualdades e têm colecionado diferentes experiências e relatos do desgaste físico e mental. Um dos principais relatos daqueles que estão inseridos em atividades remotas é a dificuldade de gerir o próprio tempo e de dedicar

O cinema brasileiro durante e depois da COVID-19

O setor do cinema e do audiovisual no Brasil teve suas atividades paralisadas pela pandemia da COVID 19. No eventual retorno das salas de exibição, filmes brasileiros encontrarão dificuldade de se reinserir no mercado. Além disso, produções filmadas ou concebidas antes de março de 2020 chegarão ao público como representantes de um mundo que não existe mais