‘O Agente Secreto’ recebe quatro indicações ao Oscar e brasileiro é indicado em Fotografia

Longa concorre a melhor filme, melhor ator (Wagner Moura), direção de elenco e filme estrangeiro; Adolpho Veloso disputa melhor fotografia por “Sonhos de Trem” Anna Karina de Carvalho (Agência Brasil) O Brasil entrou com força na disputa do Oscar 2026. O Agente Secreto foi indicado simultaneamente a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção Elenco (nova categoria), enquanto Wagner Moura recebeu indicação a Melhor Ator por sua atuação no longa. Com as quatro indicações, O Agente Secreto chega ao mesmo número recorde de indicações do filme Cidade de Deus, em 2004. Em outra frente, o país também aparece entre os destaques técnicos: Adolpho Veloso concorre a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem. A lista foi anunciada nesta quinta-feira, (22) pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, marcando o início da etapa decisiva da 98ª edição do prêmio e confirmando um momento histórico para o cinema brasileiro. >>Confira a lista completa dos indicados ao Oscar 2026 Votação A primeira fase de votação foi encerrada na sexta-feira (16). Mais de 10 mil profissionais da indústria cinematográfica — entre atores, diretores, roteiristas e técnicos — participaram do processo, votando majoritariamente dentro de suas áreas, com exceção de Melhor Filme, que reúne o voto de todo o colégio eleitoral. A cerimônia do Oscar 2026 acontece em 15 de março, e o anúncio desta quinta-feira já provoca clima de celebração no setor audiovisual brasileiro. Brasil no Oscar 2026 Melhor Filme O Agente Secreto disputa com: BugoniaF1FrankensteinHamnetMarty SupremePecadores (Sinners) — Lidera as indicações com 16 nomeações no totalSonhos de Trem (Train Dreams)Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another)Valor Sentimental (Sentimental Value) Melhor Filme Internacional Apontado como favorito, O Agente Secreto concorre com: Valor Sentimental (Noruega)Foi Apenas um Acidente (França)Sirât (Espanha)A Voz de Hind Rajab (Tunísia) Melhor Direção de Elenco O Agente Secreto disputa com: HamnetMarty SupremeUma batalha após a outraPecadores Melhor Ator Wagner Moura é candidato à estatueta ao lado de: Timothée Chalamet (Marty Supreme)Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra)Michael B. Jordan (Pecadores)Ethan Hawke (Blue) A indicação vem após Moura ter vencido o Globo de Ouro de melhor ator em drama, consolidando a performance como uma das mais comentadas da temporada. Melhor Fotografia Com Adolpho Veloso, Sonhos de Trem enfrenta: Uma Batalha Após a OutraPecadoresFrankensteinMarty Supreme Instagram Twitter Youtube Tiktok

“O Agente Secreto” faz história no Globo de Ouro com dois prêmios

Filme brasileiro foi eleito melhor em língua estrangeira e Wagner Moura foi premiado como melhor ator de drama Anna Karina de Carvalho (Agência Brasil) O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste domingo no Globo de Ouro, realizado no The Beverly Hilton, em Los Angeles (EUA). O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu duas das principais categorias da cerimônia: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. Apesar do desempenho expressivo, o longa brasileiro não levou o prêmio de Melhor Filme de Drama, principal categoria da noite, que ficou com Hamnet. Ainda assim, a chamada “noite do Brasil” consolidou a presença do país entre os destaques da premiação. O anúncio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver. Ao revelar o vencedor, Driver saudou o público brasileiro com um “Parabéns”, dito em português. Na categoria, O Agente Secreto superou produções de cinco países: Valor Sentimental (Noruega), Sirât (Espanha), A Única Saída (Coreia do Sul), A Voz de Hind Rajab (Tunísia) e Foi Apenas um Acidente (França). Ao receber a estatueta, Kleber Mendonça Filho iniciou o discurso saudando o país. “Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”, disse. Em seguida, agradeceu à distribuidora brasileira Vitrine Filmes, à produtora e companheira Emilie, à equipe e ao elenco. “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um grande momento”, afirmou o diretor. A vitória coroou um percurso internacional iniciado no Festival de Cannes, onde o filme teve estreia concorrendo à Palma de Ouro. Na ocasião, uma apresentação de frevo tomou a Avenida Croisette e se tornou um dos momentos mais comentados da edição. Melhor ator Já Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Em seu discurso, falou em português e celebrou a cultura brasileira. “Viva a cultura brasileira”, disse o ator, ao destacar a parceria com Kleber Mendonça Filho, a quem definiu como “um gênio”, e a amizade construída ao longo do projeto. Além de Wagner Moura, concorriam à categoria Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido). A vitória de O Agente Secreto resgata uma tradição brasileira na premiação: Central do Brasil venceu a mesma categoria em 1999, e, no ano passado, Fernanda Torres conquistou o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama. Entre os demais vencedores do Globo de Ouro, o prêmio de Melhor Direção em Filme ficou com Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra. Já Melhor Ator em Filme de Musical ou Comédia foi conquistado por Timothée Chalamet, por Marty Supreme. Na televisão, a série Adolescência saiu com dois prêmios de atuação: Owen Cooper venceu como Melhor Ator Coadjuvante em Série, e Stephen Graham foi premiado pela atuação como protagonista, além de também assinar a direção da produção. Com duas estatuetas e forte repercussão internacional, O Agente Secreto consolida o Brasil como um dos grandes protagonistas da atual temporada de premiações do cinema mundial. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Cine Sesc exibe “A Pequena Vendedora de Sol” nesta quarta

O Sesc Teatro Prosa, em Campo Grande, exibe nesta quarta-feira (9 de abril) a partir das 16h o filme senegalês “A Pequena Vendedora de Sol” (1999). O filme é das uma obras-primas do diretor Djibril Diop, lançado após sua morte. Sinopse: Em Dacar, vender jornais na rua é uma tarefa sempre ocupada por meninos. Certa manhã, Sili, uma jovem menina, decide desafiar essa regra exclusiva. “A Pequena Vendedora de Sol”, é uma das obras-primas do mestre senegalês Djibril Diop Mambéty. O Sesc Teatro Prosa se localiza na Rua Anhanduí, número 200, no Centro. A entrada é gratuita.

“Ainda Estou Aqui”: a preservação da memória

Filme de Walter Salles aborda com sutileza e sem sensacionalismos a dor da busca por familiares mortos pela ditadura militar Por Vitória Regina e Maria Fernanda Figueiró O aguardado “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, corresponde às expectativas. A narrativa tem início em 1970, em meio à repressão e perseguição da ditadura militar brasileira, e é baseada nas memórias de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe, Eunice Paiva (Fernanda Torres). Eunice, mãe de cinco filhos, vê-se desafiada a se reinventar como mulher e ativista após o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva (Selton Mello), sequestrado e assassinado pelas mãos do aparato repressivo do Estado. Rubens Paiva, que era deputado federal quando ocorreu o golpe de 1º de abril de 1964, convocou o povo a não ceder ao autoritarismo imposto. Sua cassação, rápida e implacável, marcou o início de uma perseguição brutal a dezenas de parlamentares opositores. O filme escapa, contudo, das narrativas tradicionais ao evitar heróis romantizados ou cenas escancaradas de tortura física. Em vez disso, explora a silenciosa e dilacerante tortura psicológica do desaparecimento, conduzindo o espectador por uma cerimônia fúnebre e angustiante, onde a dor se constrói no vazio, na ausência e na incerteza. É uma experiência de luto compartilhado e uma crítica ao desamparo que deixou a memória desses desaparecidos sem a reparação do Estado. O filme se desenha pelo olhar de Fernanda Torres, que encarna as dores de uma família marcada pela violência do Estado e pela ausência do marido. A falta de Rubens se faz uma presença constante, seja nas perguntas inocentes dos filhos sobre quando o pai voltará, ou nos momentos silenciosos em que a família se reúne para folhear os álbuns de fotos. Uma das cenas mais emblemáticas do filme é o instante em que a família decide deixar o Rio de Janeiro. Antes da partida, Eunice e os filhos recebem a visita de um jornalista para uma matéria sobre o desaparecimento de Rubens. O fotógrafo, atento ao desejo do editor, sugere que se posicionem de forma séria, sem sorrisos. Eunice, porém, se recusa. Ela entende que aquela imagem poderia ser manipulada pelos militares e pela mídia, transformando os Paiva em símbolos de derrota. Assim, guiada por um sentimento de esperança, Eunice se volta para seus filhos e diz: “vamos sorrir.” No ato final, Fernanda Montenegro entrega uma atuação avassaladora e silenciosa. Como Eunice, já tomada pelo Alzheimer, Montenegro emociona-se ao ouvir o nome de Rubens na Comissão Nacional da Verdade de 2014. A morte de Rubens só foi oficialmente reconhecida em 1996, mais de duas décadas após seu assassinato.  E foi por meio dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade – composta por sete membros nomeados pela presidente Dilma Rousseff e assistida por uma equipe de pesquisadores e consultores – que vieram à tona as circunstâncias de suas torturas e a identidade dos responsáveis. Mesmo assim, nenhum dos agentes envolvidos em crimes de Estado foi julgado ou responsabilizado. A obra traz elementos estéticos que reforçam a singularidade da narrativa. Desde o enfoque dado a objetos que capturam o presente de cada época até a trilha sonora cuidadosamente selecionada, a direção constrói uma atmosfera onde a memória ocupa lugar central em cada cena. O filme também brinca com a temporalidade, atravessando a década de 1970, os anos 2000 e o ano de 2014. Entre esses lapsos temporais, os objetos que capturam a memória atuam como signos que costuram a narrativa. Da filmadora e câmera analógica aos modernos iPhones, o diretor utiliza esses elementos de maneira sensível para evidenciar a urgência de capturar o presente, em um recado que diz: “não esquecemos, ainda estamos aqui. A trilha sonora do filme é composta por clássicos brasileiros das décadas de 1960 e 1970, período em que muitos artistas foram perseguidos e suas produções censuradas pela ditadura militar. A música-tema, “É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo”, de Erasmo Carlos em parceria com Roberto Carlos, reflete o tom da narrativa. Lançada no álbum “Carlos, Erasmo” (1971), onde aparece como terceira faixa, a canção carrega uma melodia robusta e oferece uma metáfora para o ambiente opressivo e hostil da época.  A letra dialoga com a narrativa proposta pelo diretor, onde o espaço para o não dito se manifesta em olhares e gestos — como o olhar agônico da protagonista no pôster do filme. Em meio aos obstáculos e dores de uma longa jornada, a história lembra da importância de dizer e de não se esquecer o que foi vivido, cumprindo, nas palavras de Castoriadis, nossa obrigação com as gerações futuras e com a memória daqueles que vieram antes de nós. “Ainda Estou Aqui” demonstra que não se constrói um futuro ignorando o passado. É, sobretudo, uma obra dedicada à preservação da memória e um convite a nunca esquecer, tampouco perdoar.     Vitória Regina Marxista e psicóloga. Debate política, psicologia e cultura. Maria Fernanda Figueiró Acadêmica de Psicologia pela UFMS, atua há mais de 16 anos na área da dança e atualmente é intérprete criadora das companhias de dança Cia do Mato e Ginga. Instagram Twitter Youtube Tiktok