O extrativismo e a pobreza

Exploração de minérios por grandes potências causa pobreza em países do Sul Global Por PanchuleiPublicado originalmente em El Otro ArchivoTradução para o português: Norberto Liberator Panchulei (Francisca Cárcamo Rojas) Quadrinista, ilustradora e editora chilena, especializada em quadrinhos não ficcionais. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Será barbárie?

Emergência climática aumenta urgência de superação do modo de produção capitalista Por Vitória Regina No primeiro semestre deste ano, a Organização Meteorológica Internacional previu que o mundo estaria à beira de ultrapassar, em cinco anos, o crítico e grave marco de 1,5°C de aumento de temperatura comparado aos níveis pré-industriais. O alarmante anúncio reforça a urgência de ações radicais e decisivas para conter as mudanças climáticas e suas consequências sem precedentes. Além disso, o relatório também frisa a importância dos esforços globais para atingir as metas deliberadas no Acordo de Paris. Entre as ações citadas no relatório, destaca-se a necessidade da redução drástica das emissões de carbono e a elaboração de medidas de adaptação às mudanças climáticas. É de suma importância atribuir o real sentido do aumento da temperatura global e entender que estamos prestes a um ponto sem retorno. Esse ponto sem retorno é a barbárie. O avanço das mudanças climáticas impõem incêndios descontrolados, inundações devastadoras, secas extremas, escassez de alimentos, carências energéticas e ondas de calor cada vez mais insuportáveis. Recentemente os efeitos do El Niño e do aquecimento global foram sentidos de forma crítica no Amazonas. Em reportagem do portal Brasil de Fato, o jornalista Murilo Pajolla destacou que a forte estiagem baixou o  nível dos rios e representa uma ameaça à pesca e à agricultura na maior bacia hidrográfica do planeta. O governo do Amazonas decretou estado de emergência em 55 dos 66 municípios afetados. Estima-se que meio milhão de pessoas enfrentarão as consequências dessa situação, incluindo a dificuldade no acesso à educação para as crianças, além das escassez e aumento no preço dos alimentos. No início de outubro, devido à severa estiagem na região amazônica, todas as operações da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, foram temporariamente paralisadas. De acordo com a Santo Antônio Energia (SAE), a decisão foi tomada por uma questão de segurança. Isso porque o rio Madeira, que abastece a usina, apresenta níveis de vazão de 50% abaixo da média. A Usina Santo Antônio é uma das maiores hidrelétricas do Brasil e conta com uma capacidade de 3.568 megawatts (MW) de potência. Olhando para o futuro e considerando a elevação do nível do mar, um cenário em que a temperatura global aumenta 1,5°C até o ano de 2100 traz consigo a gravidade de expor cerca de 70 milhões de pessoas a inundações catastróficas. E aproximadamente 80 milhões de pessoas tentarão sobreviver sob o aumento de 2°C na temperatura. Na última semana de inverno deste ano, ocorreu uma onda de calor significativa que afetou nove estados brasileiros. As regiões colocadas em alerta tiveram que lidar com temperaturas extremamente altas, com algumas cidades alcançando a preocupante marca de 40°C por vários dias. Destacam-se, entre os estados em situação crítica, aqueles que compõem a região Centro-Oeste. Ao longo de todo o território de Mato Grosso do Sul, foram registradas temperaturas elevadas, indicando uma relação direta entre as mudanças climáticas e o setor do agronegócio. Diante do cenário no qual o aumento de temperatura seja de 2°C, as projeções sinalizam que cerca de 18% das espécies de insetos, 16% das espécies vegetais e 8% dos vertebrados entrarão em extinção. Em um artigo publicado em 2019, Kelly Levin elenca os diversos impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas. Um aumento de 2°C na temperatura global provocará alterações ou transformações em aproximadamente 13% da superfície terrestre, inclusive com a possibilidade de transformar tundras em florestas. Entretanto, o risco pode ser reduzido se o aumento da temperatura se limitar a 1,5°C e a superfície afetada seria em torno de 4%. Além disso, outra probabilidade que preocupa é o derretimento do pergelissolo, que armazena significativa quantidade de carbono. O cenário de aquecimento de 2°C pode ter como consequência o derretimento de até 47% do permafrost do Ártico até 2100. Se o aumento for de 1,5°C, o cenário também não é animador: a texa de derretimento estaria entre 21% e 37%. Em relação aos oceanos, a previsão é de redução de 70% a 90% dos recifes de coral com uma temperatura a 1,5°C. Caso a temperatura chegue a 2°C, a redução atingirá cerca de 99%. Ademais, se houver o aumento de 1,5°C na temperatura, a captura da pesca global diminuirá em 1,5 milhão de toneladas; sob o aumento de 2°C, o número se elevaria para 3 milhões de toneladas. Arte: Norberto Liberator As discussões relacionadas às mudanças climáticas estão entre as mais urgentes de nosso tempo. Diante desse cenário, reconhecendo a gravidade de nossos dias, é difícil não se recordar da célebre afirmação de Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie. Isso nos lembra que apenas uma abordagem radical, como a do socialismo, pode evitar o pior cenário. Somente uma transformação profunda nos sistemas de produção e reprodução da vida garantirá um futuro viável para as próximas gerações. Se décadas marcadas por estudos científicos e previsões preocupantes sobre o futuro do planeta não foram suficientes, o que será necessário para que haja mobilizações mais radicais que intensifiquem os esforços na luta contra as mudanças climáticas? É válido destacar que as mudanças climáticas não se limitam apenas ao aumento das temperaturas globais; seus impactos se estenderão a todos os aspectos da vida cotidiana, afetando a qualidade de vida, a disponibilidade de alimentos e até mesmo os momentos de lazer, como aproveitar uma simples cerveja gelada. Isso porque pode faltar cerveja devido às mudanças climáticas, uma vez que a fabricação dessa bebida alcoólica depende de ingredientes como cevada e lúpulo, que podem ser impactados pelo aumento das temperaturas. Como destaca o G1, as mudanças climáticas podem transformar café e laranja em produtos de luxo. Não existe concordância entre o metabolismo do sistema capitalista e o metabolismo da natureza. Não há harmonia quando um sistema de acumulação infinita, como o capitalismo, dita o modo de produção e reprodução em um contexto de recursos finitos. Considerando outra frase célebre, pensemos a colocação feita por Marx e Engels em A Ideologia Alemã: as ideias dominantes são as ideias da classe dominante. Ou seja, o nosso pensamento e os nossos desejos não

Suicídio: um problema de existências negadas

O tema do texto a seguir trata de um conteúdo complexo e infelizmente comum. Não recomendamos a leitura caso este tema seja sensível a você e possa te provocar grandes desconfortos. Em caso de sofrimento recomendamos buscar ajuda

Situação de estudantes pretos(as) no ensino remoto

Em um país onde estruturas de classe e de raça hierarquizam direitos à permanência na universidade, a Badaró conversou com estudantes negros(as) para compreender dificuldades com Ensino à Distância (EaD) Por Vitória Regina  Ilustrações por Fabio Faria Colaborou Leopoldo Neto A pandemia causada pelo novo coronavírus modificou temporariamente o formato de ensino, aprendizagem e a dinâmica em sala de aula. Para evitar o agravamento dos índices de contágio, algumas Universidades optaram por suspender o calendário acadêmico. Todavia, essa escolha não foi regra e outras instituições deram continuidade ao calendário para que não houvesse um prejuízo de ensino (1). Quando o ensino remoto foi colocado como única opção viável às instituições, o questionamento que vigorava em alguns setores pode ser resumido na indagação feita por Oliveira et al. (2020, p. 66) sobre ”em que medida tais iniciativas incidem diretamente no acesso e permanência de estudantes socialmente vulneráveis?”. Entre as dificuldades enfrentadas por diferentes estudantes em relação ao acesso às tecnologias de informação, podemos citar a constatação de que em alguns casos (como os/as estudantes indígenas, quilombolas e do campo) sequer haveria possibilidade de acesso à energia elétrica em suas residências/localidades; muitos estudantes residem em lugares (por exemplo sítios e/ou municípios pequenos) em que não há disponibilidade de meios virtuais/eletrônicos/internet facilitados ou em número suficiente; dada a especificidade de cada curso, há casos em que existe o predomínio de atividades práticas e que não podem ser realizadas de formas virtuais; não habilitação ou dificuldade por parte de estudantes e professores/as na utilização de ferramentas digitais; muitos/as estudantes, por terem algum tipo de deficiência, não possuem, em sua residência, estrutura e apoio adequado para a realização de atividades online; a preocupação por parte de estudantes inseridos/as dentro do perfil de vulnerabilidade social e que demonstravam receio quanto à incerteza da manutenção de auxílios e benefícios (OLIVEIRA et al., p. 68, 2020). Diante das problemáticas supracitadas, as medidas adotadas – seja por universidade pública ou privada–  foram pensadas com e para uma classe específica. A partir do momento em que decisões tomadas a nível institucional ignoram grupos sociais historicamente excluídos, automaticamente afirmam que o espaço universitário é feito para uma classe e terão em suas fileiras somente uma cor. As universidades que mantiveram o calendário acadêmico como se nada estivesse acontecendo, deram um longo prazo para que os estudantes pudessem trancar disciplinas. Essa decisão, na prática, nada mais é do que a responsabilização e culpabilização do sujeito. Ou seja, se você não consegue se adaptar ao ‘’novo mundo’’ ou não tem a possibilidade de tentar se encaixar, você está fora. Quando o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que o Enem Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) não era aplicado para ‘’atender injustiças sociais, mas para selecionar os melhores’’ provou que a crise – e agora o desmonte e sucateamento das instituições federais–  da educação no Brasil é um projeto. O Estado brasileiro não tem a menor intencionalidade de reparar o grave histórico de desigualdade social no país. Esse cenário, como apontaram Nascimento e Santos (2020, p. 122), vai desde à falta de estrutura física nas residências, até às diferenças de acesso devido a marcadores como gênero e raça, dentre outros, infere-se que este instrumento com vistas à equidade de acesso ao ensino, não garante a equidade de aprendizado dos alunos, já que todos não compartilham das mesmas condições sócio-econômicas-culturais, algo que tornou-se uma normalidade excludente e macabra. As atividades passaram a acontecer de modo remoto – via internet – e todo mundo teve que se adaptar o mais rápido possível. As ferramentas de Educação à Distância (EaD) utilizadas nesse período concentram-se no Google Meet, Hangout, Classroom, Skype, Zoom, Moodle e, em alguns casos, Whatsapp. No entanto, o ensino remoto – ou uma vida gerida pela internet é impossível– para aproximadamente 46 milhões de brasileiros. De acordo com a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua, a ferramenta tecnológica mediadora entre a parcela da população brasileira que possui acesso à internet é principalmente o celular (99,2%), depois os microcomputadores (48,1%) e os tablets (13,4%). Ainda neste sentido, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicados em 2018, entre as chamadas camadas de renda ‘D’ e ‘E’, somente 9% possuem acesso à internet. Além disso, 55% da internet acessada por celular ocorre pelo modo pré-pago e 30% das residências no país não possuem qualquer conexão com a internet. A introdução dos computadores e da internet causa longos debates desde a década de 1980. Aos defensores desse ”novo mundo”, a utilização da internet abriria novas portas e serviria para desterritorializar a educação. Entretanto, ignoraram o fato de que para quem tem tempo e acesso ilimitado à internet, a territorialização nunca foi um problema tão grande assim. Claro, durante a pandemia foi possível, por exemplo, estar em Campo Grande (MS) e fazer um curso de formação sobre Saúde Mental e Racismo ministrado no Rio de Janeiro (2). Mas só foi possível pelo acesso e pela disponibilidade de tempo. O debate ao redor das tecnologias dentro da sala de aula, bem como do ensino à distância não deve ser realizado de modo acrítico. Ao fazer uma defesa de que só a internet será capaz de democratizar e ‘’emancipar’’ a educação e os sujeitos em processo de formação, ignorando a parcela de pessoas em território brasileiro que não possuem acesso à internet, significa corroborar que o acesso à educação de qualidade pertence somente a um grupo privilegiado da sociedade. Além da discussão a respeito do acesso à internet, devemos nos atentar para a existência – ou não – de um lugar adequado para estudos e os cuidados com a saúde mental de cada sujeito que está atravessando esse período, considerando que estamos vivendo a pior pandemia do último século. A pandemia e a necessidade de um isolamento social escancararam diversas desigualdades e têm colecionado diferentes experiências e relatos do desgaste físico e mental. Um dos principais relatos daqueles que estão inseridos em atividades remotas é a dificuldade de gerir o próprio tempo e de dedicar

A psicologia enquanto um discurso ético-político

A força da psicologia não pode ser utilizada enquanto instrumento de manutenção do status quo. Que seja uma ferramenta para superação das estruturas de opressão e, assim, para libertação de todos indivíduos Por Carolina de Mendonça  Colaborou Leopoldo Neto  O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural. (Código de Ética Profissional do Psicólogo) No dia 27 de agosto de 1962, o então presidente brasileiro João Goulart sancionou a Lei 4.119, que previa a formação e atuação trabalhista do psicologista – nome dado ao profissional de psicologia na época. Contudo, apenas em janeiro de 1964, com o decreto 53.464, o ofício foi regulamentado e somente em 1971 foi criado o Conselho Federal de Psicologia (CFP) – órgão que regulariza e fiscaliza a situação desses especialistas no Brasil. Formada em meio a uma democracia frágil, a psicologia só se regulamenta enquanto prática profissional nas vésperas do golpe civil-militar – que se perdurou em uma ditadura empresarial-militar de 21 anos. A psicologia, enquanto ciência e profissão, se inicia no Brasil servindo à lógica social e econômica vigente; afinal, a ocupação é transplantada com objetivo de auxiliar na modernização . Em tal âmbito, o país terceiro-mundista emergente passou a utilizar testes psicológicos para separar adultos (em organizações) e crianças (em escolas) entre as categorias de aptos e inaptos, o que gerou segregação através da ciência recém chegada. Logo ao chegar aqui, a psicologia também se operacionaliza nos manicômios –enquanto no continente europeu, cresciam os debates sobre abolição manicomial. Em todas regiões há manicômios, em todos os manicômios há denúncias de maus-tratos de funcionários. E a psicologia está lá, validando o discurso de poder de um suposto saber da psiquê daqueles internos. Felizmente, o movimento para fechamento dessas instituições chega no território nacional. A psicologia se mostra ativa na luta antimanicomial; e passa a integrar o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), por uma reforma psiquiatria – antipsiquiatria tradicional. Se ao chegar no território nacional, imerso em uma ditadura, a psicologia reforça opressões, poucos anos depois os psicólogos lutavam por uma democracia que possibilitasse direitos de cidadania a todos habitantes brasileiros. Apoia criação de estatutos voltados às minorias, reforma na saúde mental e criação do Sistema Único de Saúde – o essencial SUS. A psicologia nunca é neutra. Qualquer pressuposto que afirme uma neutralidade da ciência e da prática psicológica, demonstra um desconhecimento da área e um claro reforço à lógica vigente – lógica esta que é cruel, genocida e aniquila a subjetividade do outro. A psicologia, enquanto ciência e profissão, pode tanto ter um discurso de violência, ao reforçar o status quo que reduz o sujeito, como pode ser uma importante ferramenta de transformação social. Dependerá da forma que o profissional utiliza de seus conhecimentos – ou desconhecimentos– em sua prática. O discurso psicológico sempre é político, se não for associado a uma ética clara, que se baseei na Declaração Universal dos Direitos Humanos, acaba por desrespeitar a atividade profissional. A partir dos anos 1990, a psicologia lida com uma nova questão ético-política: o avanço dos psicotrópicos. A psiquiatria retoma com força, que só aumenta desde então, baseada em um discurso que limita o sofrimento do sujeito e o reduz a aspectos químicos, resolvíveis com remédios. O neoliberalismo se apodera desse discurso lucrativo e reducionista. O sistema de ideias vigente na psiquiatria cria uma forma de manicomialização – institucionalizando o agente por remédios. A simplificação da dor psíquica reduz o sujeito e produz uma necessidade de consumo. A medicalização não é de todo ruim, porém ao ser utilizada como forma de manter o paciente passivo a sua dor, acaba por destituir o seu potencial de transformar o contexto vivido, mas com suficiente força de trabalho para permanecer sendo explorado. A psicologia se mostra pouco crítica ao poder psiquiátrico, reforçando a lógica perversa que adoece o indivíduo. A psicologia brasileira tem uma grande história de clínica individual a ser superada. Não enquanto uma prática, mas enquanto uma lógica que individualiza os problemas do atendido a si mesmo – desajustes na força de vontade ou na forma de existir. A prática individual é uma maneira de transformação, contudo, ao alienar ao sujeito para além das estruturas que os cercam, os psicólogos tendem reforçar racismo, misoginia, LGBTfobia entre outras problemáticas. E não fortalecer o indivíduo a superar os discursos de opressão. A psicologia também reduz o sujeito na assistência social. Apesar de ser uma das áreas que mais emprega esses profissionais no país, a formação acadêmica é deficitária nesse aspecto. Problemas estruturais, como a negação de direitos e de violências são colocados a parte da psique e não como produtores ativos de adoecimento psicológico. Por causa da pandemia de Covid-19, o Brasil vive uma crise – sanitária, econômica, política, social e humanitária. Por seu turno, a crise sanitária trouxe à tona problemas sociais profundos causados pela lógica do neoliberalismo em um país que tem fome e morre por opressões sistemáticas. O discurso da psicologia se faz presente nesse contexto, porém sua força se dá ao reforçar o status quo. Para o sistema neoliberal, não há tempo para se elaborar a dor, mesmo com tantas dores potencializadas ou trazidas pelo espaço social. Afinal, O Brasil não pode parar. Os psicólogos e as psicólogas, no início da quarentena, se propuseram a sugerir para muitos trabalhadores formas de melhorar a produtividade no novo contexto. Propostas estas que ignoram problemáticas que afetam a saúde do sujeito e os reduzem a meras máquinas destituídas de subjetividade. O isolamento social foi catalisador para o aumento de violência doméstica. A negligência com indígenas aldeados causa um genocídio desta população. O isolamento entre encarcerados no país foi intensificado, não há visitas e se propõe julgamentos por vídeo-chamada. Nestes locais se prolifera o vírus, as torturas e se piora a saúde psíquica de um grupo abandonado. Crianças negras são assassinadas dentro de casa pela polícia militar. É ateado fogo em aldeias, quilombos, reservas ambientais e qualquer espaço de resistência ao perverso agronegócio. A “saúde mental”