Entidades organizam show com prestação de serviços no 1º de maio

A Central Única dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul (CUT-MS), em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Associação de Moradores do Jardim Noroeste, Leon Denizart e outros movimentos sociais, promove nesta quinta-feira ( 1º de maio) uma grande celebração em homenagem ao Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. O evento, que acontece das 8h às 15h na Praça do CRAS, localizada na Rua Indianápolis, 1949, no bairro Jardim Noroeste, em Campo Grande, reunirá serviços gratuitos, atrações culturais e pautas de luta da classe trabalhadora, em um momento de confraternização e resistência. A programação foi pensada para atender a comunidade local, oferecendo serviços de saúde como atendimento odontológico, aferição de pressão arterial e vacinação. Para as crianças, um espaço especial chamado “Cantinho da Alegria” contará com pula-pula e diversas brincadeiras. Além disso, um almoço gratuito será servido para as primeiras mil pessoas presentes, e cestas básicas serão sorteadas mediante retirada de número no local. A animação do evento ficará por conta das apresentações do cantor e compositor Dovalle, da Orquestra Infantil e do DJ TGB, que prometem levar música e alegria aos participantes. Mais do que uma celebração, o evento é também um espaço de mobilização social. A CUT-MS e os movimentos parceiros aproveitarão a ocasião para reafirmar reivindicações nacionais e locais. Entre as pautas nacionais, destacam-se o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem corte de salários, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a valorização do serviço público, o fortalecimento da agricultura familiar, a igualdade salarial entre mulheres e homens e o combate ao racismo e à LGBTQIA+fobia. Já no âmbito local, os moradores do Jardim Noroeste demandam a construção de uma Escola Estadual, a implantação de um Centro de Saúde com atendimento 24 horas e a abertura de acesso à rotatória das BRs 262 e 163 para melhorar a mobilidade no bairro. A CUT-MS convida toda a população de Campo Grande a participar do evento, reforçando a importância da união em prol dos direitos trabalhistas. A entrada é gratuita, e a expectativa é de que a comunidade compareça em peso para aproveitar os serviços, as atrações e se engajar nas pautas apresentadas. O evento do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora será realizado na Praça da Cultura, em frente ao CRAS, no Jardim Noroeste. Instagram Twitter Youtube Tiktok
A impulsionar a grande roda da história

Bruno Lira dedicou vida a uma causa e deixa legado de luta Texto: Norberto LiberatorArte: Yuirê Campos “Perdemos o melhor de nós”. Esta frase ficou em minha mente, como se soprada por uma voz externa, após a notícia de que o quadro de Bruno Lira Rodrigues, que tratava um câncer, era irreversível. Militante, assessor parlamentar, publicitário, estudante, atleta, músico, pai. As funções de Bruno eram múltiplas. Esta é a primeira vez que escrevo a partir de experiências pessoais para a Badaró, que a esta altura está em seus quase seis anos de existência. Conheci Bruno – também chamado de Lira – durante a graduação, quando estudava Jornalismo e ele, Ciências Sociais. Provavelmente em 2016 ou 2017. Tínhamos em comum o gosto pelo punk rock e heavy metal, pela moda de viola e pela política. Dividia o tempo de estudo com a função de gerente da Chilli Beans. Uma das primeiras pessoas a saber sobre o projeto de criação de uma revista inovadora e politicamente de esquerda em Campo Grande. “Eu já conhecia a Badaró antes de ela existir”, diria posteriormente. “O poeta está vivo com seus moinhos de vento, a impulsionar a grande roda da história”, diz a canção do Barão Vermelho dedicada a Cazuza. Bruno impulsionou o ciclo histórico sendo um homem de ação. Um dos fundadores e primeiro presidente do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Joaquim Murtinho, maior colégio público campo-grandense; fundou também o Centro de Treinamento Thai 67. Participou da ocupação do Bloco VI da UFMS, em 2019, que rendeu processos da própria universidade contra estudantes. Na comunicação, sua atuação enquanto publicitário não se deu por título acadêmico, mas pela prática. Foi um dos fundadores da Agência Prosa e, entre muitas coisas, marketeiro das campanhas de Jean Ferreira. A primeira, para deputado estadual em 2022; a segunda, a corrida vitoriosa para vereador por Campo Grande, em 2024. Arte: Yuirê Campos Foi no contexto do marketing político que nos reaproximamos. Bruno indicou meu nome para assumir a assessoria de imprensa do mandato recém-eleito. A convivência com a burocracia de uma casa legislativa era algo novo para nós. O gabinete do vereador Jean Ferreira, com um bando de jovens vestindo calças cargo ou sarja, destoava dos demais desde a estética. Bruno não aderiu ao paletó e continuou indo à Câmara trajado em camisetas pretas, com estampas de bandas ou frases políticas. Em uma demonstração de sensibilidade por parte da família, Bruno foi enterrado com a camiseta do álbum “Kill’Em All”, do Metallica. Mas apenas seu corpo físico, pois sua contribuição para um mundo melhor permanece, seja nas memórias, seja no legado que construiu. Bruno Lira era essencialmente político, portanto desrespeitoso seria que sua morte não fosse politizada. Não é o que ele gostaria. A luta foi um elemento importante de sua vida, em muitos aspectos: na política; no jiu-jitsu e muay thai; como pai atípico do pequeno Noah e na luta pela sobrevivência após a identificação de um câncer. As pessoas morrem, mas suas ações ficam. O que Bruno deixou mostra que sua existência não foi uma mera passagem. Como diz a música já citada: “Amanheceu o pensamento que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento”. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Câmara tem minuto de silêncio em homenagem a Bruno Lira

A sessão ordinária desta quinta-feira (24) da Câmara Municipal de Campo Grande foi iniciada com uma homenagem e um minuto de silêncio, pelo falecimento de Bruno Lira Rodrigues, 28, assessor do vereador Jean Ferreira (PT). Bruno tratava um câncer e morreu durante a madrugada. A leitura foi realizada pelo vereador Fábio Rocha (União), pois Jean não pôde estar presente durante a sessão, já que acompanhava a família de Bruno. O parlamentar pediu aos pares que se levantassem em respeito ao jovem e lembrou que se tratava do “braço direito do vereador Jean”. Bruno foi um dos coordenadores da campanha eleitoral de Jean Ferreira em 2024 e, após o início da Legislatura, cumpria funções centrais no mandato. Era estudante de Ciências Sociais na UFMS. Foi um dos fundadores e primeiro presidente do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Joaquim Murtinho, maior colégio público de Campo Grande. Faixa azul de jiu-jitsu, venceu algumas competições na modalidade. O vereador Jean publicou em suas redes sociais uma nota, em que ressalta “essa garra, alegria e energia” e relembrou que “mesmo que um câncer estivesse te consumindo, você não abaixava a cabeça”. O parlamentar também destacou que Bruno foi um “marketeiro vencedor”: “vencemos juntos essa eleição que parecia impossível para pessoas comuns como nós”. Bruno deixa o filho Noah, de três anos de idade.
Ela tá onde?
Após articulação de Jean, STF suspende despejo de famílias no São Jorge da Lagoa

O STF deu fim ao drama das famílias ameaçadas de despejo no bairro São Jorge da Lagoa, em Campo Grande. Após solicitação da assessoria jurídica do vereador Jean Ferreira (PT), a Defensoria Pública entrou com uma ação no Supremo e foi atendida pelo ministro Cristiano Zanin, que suspendeu, na última sexta-feira (11), a reintegração de posse expedida anteriormente. O imóvel, um prédio inacabado localizado na Rua Polônia, estava abandonado desde 2002. Em 2016, as famílias começaram a ocupar o local, que anteriormente era ponto de uso de drogas, e realizaram reformas. Os moradores realizaram nos apartamentos e se instalaram com móveis, eletrodomésticos, televisões, computadores e animais de estimação. Conhecida como “Novo Carandiru”, a ocupação conta com cerca de 18 famílias. A reintegração de posse, em favor da construtora falida Degrau, pedia desocupação imediata do prédio. No início do mês de abril, o vereador Jean Ferreira acompanhou as famílias, que estiveram na sede da Emha (Empresa Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) para garantir seu direito à moradia. Diante da falta de perspectivas para as famílias alojadas no “Novo Carandiru”, Jean pediu, por meio de sua assessoria jurídica, que a Defensoria Pública se baseasse em um caso similar ocorrido no Espírito Santo, que foi revogado pelo ministro Dias Toffoli. O advogado Giuseppe Piccolo, representante jurídico do mandato do vereador, pediu à Defensoria Pública que fosse realizada uma reclamação constitucional, baseado na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 828. A tese firmada na ADPF 828 prevê a necessidade de uma regra de transição em ocupações coletivas. Com base nesta regra, a desocupação só pode se dar de forma gradual, aliada com medidas administrativas e conciliatórias que assegurem o encaminhamento das famílias para abrigos ou moradias dignas. Após a reclamação feita pelo mandato de Jean Ferreira, o ministro Cristiano Zanin suspendeu a reintegração de posse. O vereador comemorou a decisão. “Moradia é um direito básico. A legislação prevê função social para propriedades urbanas, pois edifícios parados representam risco à população, seja por se tornar pontos para a criminalidade, seja pela saúde, com repositórios de mosquitos e animais peçonhentos”, afirma. Jean também a necessidade vivida pelas famílias alojadas no local. “Ninguém vive em uma ocupação porque quer. As pessoas só não veem outra saída”, pontua o vereador. “Não faz sentido que, em nome de interesses particulares, um imóvel permaneça sem função social e famílias inteiras fiquem sem ter onde morar”, conclui o parlamentar.
