1 de novembro de 2024

Movimento libanês atua no combate ao colonialismo israelense

Por Norberto Liberator
Em meio às notícias sobre ataques de Israel contra a Palestina e mais especificamente o Líbano, a mídia hegemônica costuma citar superficialmente o grupo Hezbollah. Geralmente, a organização é citada como “grupo terrorista” ou “extremista”, seguindo definições dos Estados Unidos e União Europeia. No entanto, a cobertura tradicional carece de explicar a origem, motivação e atuação do grupo.
O Hezbollah (Partido de Deus, em árabe) é um partido político que possui um braço armado. Foi fundado no Líbano em 1982, para combater a invasão israelense. O grupo também tinha como objetivo representar a população xiita, cujos indicadores sociais eram mais baixos em relação a outros grupos religiosos. Desde o início há uma relação com o Irã, que três anos antes passou pela Revolução Islâmica e pretendia exportar seu modelo para outros países.
A criação do Hezbollah se deu no mesmo ano do massacre de Sabra e Chatila, quando uma milícia cristã patrocinada por Israel matou cerca de 3 mil refugiados palestinos (incluindo crianças) em menos de três dias. Além de chocar o mundo pela brutalidade, o caso gerou uma revolta generalizada, que propiciou o crescimento de organizações armadas contra Israel.
A configuração política do Líbano favoreceu a ascensão do Hezbollah no Parlamento. A Constituição define que os principais cargos precisam necessariamente ser divididos entre os grupos religiosos para evitar conflitos. Presidente: Cristão maronita; Primeiro-ministro: muçulmano sunita; Presidente do Parlamento: muçulmano xiita. A composição de ministérios deve obrigatoriamente refletir a diversidade religiosa do país.
Em vários momentos, o Hezbollah foi a principal força parlamentar libanesa. Seu apoio é historicamente disputado por outros partidos. O movimento mantém ainda um braço filantrópico, construindo e mantendo hospitais, escolas, creches e programas de assistência social. A forte presença em localidades onde o Estado falha em políticas públicas, sobretudo no sul do Líbano, ajuda a explicar a popularidade do Hezbollah.
O Hezbollah conta ainda com uma estrutura militar superior à das Forças Armadas do Líbano. São centenas de milhares de mísseis, foguetes, fuzis e drones, entre outros itens. A maior parte do arsenal do grupo é financiada pelo Estado iraniano.
Sob a liderança de Hassan Nasrallah, o Hezbollah conseguiu expulsar Israel do Líbano em 2000, após 18 anos de invasão colonial. 24 anos mais tarde, Nasrallah foi assassinado por um ataque israelense, que gerou uma breve contra-ofensiva iraniana. Em outubro de 2024, o Hezbollah anunciou o químico e professor Naim Qassem como sucessor de Nasrallah.
Com informações de: Al Jazeera, BBC e AFP Sugestões de leitura: “Hizb'allah in Lebanon: The Politics of the Western Hostage Crisis”, de Magnus Ranstorp Hizbullah: The Story from Within”, de Naim Qassem

Norberto Liberator

Jornalista, ilustrador e quadrinista. Interessado em política, meio ambiente, artes e esportes.

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