25 de junho de 2025

Deputado denunciou extermínio em Gaza e citou ofício ao governo estadual

Norberto Liberator
Foto: Wagner Guimarães (reprodução)

O deputado estadual Pedro Kemp (PT-MS) subiu à tribuna nesta terça-feira (24) para condenar o genocídio em curso na Faixa de Gaza. Kemp fez um apanhado histórico e criticou os milhares de assassinatos praticados pelo governo de Benjamin Netanyahu. O parlamentar também denunciou o uso político da religião por figuras públicas e questionou uma recente viagem de membros do governo sul-mato-grossense a Israel.

Kemp iniciou sua fala esclarecendo que condenou os ataques do Hamas contra Israel, que mataram cerca de 1.300 a 1.400 pessoas. No entanto, o deputado classificou a reação de Israel como desproporcional, citando as mortes de mais de 100 mil pessoas, majoritariamente civis, incluindo mulheres, crianças e idosos, além de causar fome na Faixa de Gaza.

 “O que está em curso é um genocídio, uma tentativa de eliminar o povo palestino”, declarou. O parlamentar denunciou os planos israelenses de realizar a limpeza étnica dos palestinos e de reocupação de Gaza, além dos avanços sobre a Cisjordânia. Ele também criticou a resolução da ONU de 1948, que criou o Estado de Israel e também previa a criação do Estado da Palestina, mas que na prática nunca garantiu a criação de um Estado palestino soberano.

Kemp direcionou críticas à confusão feita entre o Estado de Israel contemporâneo e o Reino de Israel bíblico, especialmente por parte de fundamentalistas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele citou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) apareceram com bandeiras de Israel na Marcha para Jesus, em São Paulo. “Israel não aceita Jesus Cristo, mas cristãos bolsonaristas enaltecem o Estado de Israel, confundindo com o Israel do rei Davi e Salomão”, afirmou, classificando a atitude como “ignorância ou burrice”.

O deputado acusou figuras políticas de usarem a religião para manipular a população, citando Tarcísio como exemplo de alguém que estaria se projetando para a Presidência da República. “Tenho nojo de quem usa o nome de Deus para dominar e explorar”, declarou, a respeito dos  que chamou de “falsos profetas” que defendem “Deus, pátria e família” com intenções políticas.

O deputado também abordou uma viagem de três membros do governo de Mato Grosso do Sul a Israel, sobre a qual Kemp enviou um ofício ao governador Eduardo Riedel (PSDB) cobrando explicações. Ele questionou o propósito da missão, paga com recursos públicos, especialmente em um momento em que o Ministério das Relações Exteriores desaconselha viagens à entidade sionista. “Foram buscar tecnologia na área de saúde enquanto privatizam os hospitais aqui?”, perguntou.

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